ANÁLISE CRÍTICA E TRADUÇÃO DO POEMA DE EMILY DICKINSON

ANÁLISE CRÍTICA E TRADUÇÃO DO POEMA DE EMILY DICKINSON

Por Kamila do Nascimento Lopes                                                

1 Sobre a autora

Emily Dickinson com seu jeito tão diferente, reservado, sempre despertou em outros artistas e até mesmo em estudiosos da área a curiosidade de tentar entender sua linha de trabalho.

Já afirmava WIECHMANN, 2011:

“A obra de Emily Dickinson é vista pela crítica como inesgotável em sua capacidade de possibilitar múltiplas leituras. Isso se dá por conta dos diferentes recursos de que a poeta se utilizou, dos quais se destacam a ambiguidade, a ironia e a sugestão como principais responsáveis pelas diversas interpretações que podem decorrer de apenas um poema”.

Os recursos que encontramos em seus poemas, apesar de serem em grande quantidade, não conseguem explicar o grande sucesso de seus trabalhos, que são até hoje discutidos.

José Lima, estudioso de Dickinson, e autor de inúmeros trabalhos sobre sua estrutura, forma de escrita, abordagem, entre outras coisas, coloca em belas palavras sua opinião:

“[Os poemas] hoje fazem parte, aos olhos de alguns, de um legado absorvido pela poesia contemporânea que se baseia, entre outras coisas, na priorização de uma linguagem menos formal e mais fragmentária, de ritmos mais maleáveis, de rimas ocasionais e outros efeitos estilísticos” (Grifos meus)

É um legado, pois, diferente de outros autores, Dickinson não foi aceita desde o começo, seus poemas só começaram a fazer sucesso depois de sua morte, e hoje são considerados cânones da literatura. Com sua escrita sofisticada, ela utiliza formas simples e comuns, não possui uma “receita”, um padrão. Segundo Small, “ela conseguia extrair as mais raras melodias, em vez de se submeter ao pentâmetro, representativo de uma tradição de dominação patriarcal”.

Muitas teorias são formadas por causa de seu estilo de vida. E muitos ainda dizem que tais traços aparecem em suas poesias. Li diversas referências que falavam sobre o poema que escolhi, no entanto fiquei surpresa com a diversidade de pensamentos que o tentavam explicar, contudo, tentei retirar deles o básico para a minha própria análise.

2 Análise do Poema

O poema “Flowers – Well – If anybody” de Emily Dickinson, apesar de ser aparentemente composto de versos livres, quando lido mais cautelosamente, percebe-se grande presença de aliterações, algumas rimas e sonoridade que contribuem para compor o sentido do poema.

Foram levados em consideração todos estes fatores na hora de propor uma tradução para o poema em questão, infelizmente, escolhas tiveram que ser feitas preservando hora a forma, hora estilo, hora conteúdo, visando ao máximo não prejudicar o resultado final que o transformasse em algo oposto ao original:

1          Flowers – Well – if anybody

2          Can the ecstasy define –

3          Half a transport – half a trouble –

4          With which flowers humble men.

5          Anybody find the fountain

6          From which floods so contra flow –

7          I will give him all the Daisies

8          Which upon the hillside blow.

9          Too much pathos in their faces

10        For a simple breast like mine –

11        Butterflies from St. Domingo

12        Cruising round the purple line –

13        Have a system of aesthetics –

14        Far superior to mine.

Flores – Bem – se pudesse

Com excitação explicar –

Meio encanto – meio pranto –

Como as flores humilham os homens

Alguém que descubra a fonte

Que flui contra o forte fluxo –

Eu lhe darei todas as Margaridas

Que farfalham sob as montanhas.

Há muito pathos em suas faces

Para um peito simples como meu –

Borboletas de São Domingo

Passando pelo breu –

Têm um sistema estético –

Muito superior ao meu

Depois de refletir sobre as escolhas feitas, e em alguns casos, sugerir duas opções de tradução, a seguir estarei relatando/explicando, verso a verso, a linha de pensamento que fomentou toda a minha análise.

TO: Flowers – Well – if anybody

TT: Flores – Bem – se pudesse

No primeiro verso, a palavra “Well”, no meu ponto de vista, soa em inglês, e ainda mais neste caso, como um suspiro, uma melodia suave, não foi encontrado nenhuma palavra equivalente em português, por isso manteve-se uma tradução literal de termos. Outro aspecto interessante para destacarmos neste verso é a omissão do sujeito. Em inglês – “if anybody” – de certa forma existe um sujeito que não está determinado mas que está ali presente, já na tradução do português, de forma oculta também existe esse sujeito, porém neste segundo caso se dá de forma mais implícita.

TO: Can the ecstasy define –

TT: Com excitação explicar –

Ao prosseguirmos para o segundo verso, começamos a perceber o contexto do poema, e a entender a admiração que a poetisa tinha pelas flores: ”Darwin’s [garden] was crucial to his developing theories of evolution. It was like a laboratory. Dickinson’s garden had the same use for her poetry.” (Cotter, 2010). Flores símbolos da inocência eram admiradas pela autora e expressa em seus poemas, assim, o termo “ecstasy”, nada mais representa que seu sentimento pelo objeto em si, algo forte, maravilhoso, difícil de explicar, por isso a escolha do português para excitação.

TO: Half a transport – half a trouble –

TT: Meio encanto – meio pranto –

No terceiro verso “Half a transport¹ – half a trouble² –” encontramos a repetição da palavra “half” e aliteração da consoante “T” no começo das palavras 1 e 2. Mantive em português a repetição da palavra “Meio”, porém decidi manter uma aliteração no final das palavras encanto e pranto. Neste caso, optei por modificar um pouco a estrutura do poema, porém de forma que não comprometesse demais seu conteúdo, ainda que perdesse a rima sonora de “trouble” com “Humble” no quarto verso. Para a tradução deste verso, baseei a minha escolha de “pranto” na tradução proposta por José Lima. Na primeira vez, havia pensado em: “Metade transporte – metade problema”, porém a tradução literal demais não estava me agradando, quando li a tradução que José Lima havia proposto achei a sua ideia muito boa e assim resolvi dela tirar a minha.

TO: With which flowers humble men.

TT: Como as flores humilham os homens

Na tentativa de manter a aliteração do “W” no quarto verso, como primeiro projeto havia traduzido: “Que como as flores humilham os homens”, tentando reproduzir pelo menos a aliteração sonora de “Q”. Entretanto, ao revisar estava demasiadamente comprometendo o sentido do verso, por isso, omiti o “Que” inicial. Neste verso, acredito que o comprometimento do sentindo afetaria muito mais meu projeto final do que a alteração da forma.

TO: Anybody find the fountain

TT: Alguém que descubra a fonte

TO: From which floods so contra flow –

TT: Que flui contra o forte fluxo –

Irei analisar os versos 5 e 6 em conjunto, pois considero uma das partes mais complicadas com relação a tradução: “Anybody find the fountain / From which floods so contra flow –”, a grande aliteração do “F”, é o que torna a tradução difícil, pois, conciliar conteúdo e forma, na maioria das vezes, não é possível. Tentei ao máximo manter os dois, mas em alguns casos como “find” não foi possível manter o equivalente, mesmo assim, mantive a aliteração em “F”, pois neste caso específico, Emily Dickinson brincou com a sonoridade de \f\, que remete o fluxo das águas. Tendo em vista essa sonoridade, quando propus: “Alguém que descubra a fonte / Que flui contra o forte fluxo –” não tendo perda nenhuma de sentido, pois se mantém a sonoridade. Entretanto, ao manter a aliteração em “F”, perdi algo significativo para o oitavo verso, porém irei explicar mais para frente.

TO: I will give him all the Daisies

TT: Eu lhe darei todas as Margaridas

No sétimo verso, reforço à ideia inicial de adoração de Emily Dickinson pelas flores, com a tradução: “Eu lhe darei todas as Margaridas”, assim como no original, o que temos de mais importante neste verso é o sentido. A Margarida representa aqui o que há de mais precioso para ela (tendo em vista o sentido simbólico que representa as flores = inocência), pois somente aquele que conseguir descobrir a fonte que corre contra o forte fluxo, que seja inocente e digno disso é quem irá recebê-la. Outro fator marcante desta palavra é que em todo o poema, ela é a única, com exceção dos começos de frases, que está escrito em letra maiúscula, mesmo não sendo comum a escrita desta forma em inglês.

TO: Which upon the hillside blow.

TT: Que farfalham sob as montanhas.

O verso número 8, no original, termina em rima com o verso número 6 “flow – blow”. Não pude manter essa rima em minha tradução, contudo usei de um recurso que talvez pudesse recriar uma rima interna dentro do poema, utilizando a palavra “farfalham”. A escolha desta palavra se deu em específico, pois ela mantém a aliteração em “F” que ocorrem nos versos 5 e 6.

TO: Too much pathos in their faces

TT: Há muito pathos em suas faces

Continuando no verso seguinte (9), temos a palavra chave “pathos”, “palavra de origem grega que indica imperfeição, tipo de experiência humana ou representação artística” (Merriam Webster Dictionary). Por ser uma palavra que me chamou a atenção já numa primeira leitura optei por não traduzi-la e dessa forma criar o mesmo estranhamento que causa no original, uma vez que esta palavra provavelmente não faz parte do vocabulário diário de um inglês, e tem uma carga muito grande de filosofia em seu significado.

TO: For a simple breast like mine –

TT: Para um peito simples como meu –

Neste verso, mais uma vez Dickinson expressa o seu sentimento com relação a sua sociedade e aos homens. É muita imperfeição, não há compaixão, tanto que nem ela consegue aguentar.

TO: Butterflies from St. Domingo

TT: Borboletas de São Domingo

Acredita-se que as primeiras leituras de Emily Dickinson, foram Shakespeare e a Bíblia (Guollo/Cabral, 2010). No verso “Butterflies from St. Domingo” a menção a St Domingo mostra a obscuridade de sua escrita, seria St Domingo um lugar ou esta querendo mencionar o Santo? A partir da preposição “from” acredito que seja a um lugar, porém com todo seu histórico de religião poderia ser simplesmente ao Santo. Neste caso cabe a cada leitor fazer o seu próprio julgamento. Com isso mantive a preposição em português “de” que é capaz de transmitir ambas as ideias de lugar e pessoa.

TO: Cruising round the purple line –

TT: Passando pelo breu –

No verso 12, “Cruising round the purple line – ”, novamente escolhi alterar o conteúdo, mas manter a forma para preservar as poucas oportunidades de frases terminadas em rima neste poema. Foi dada a tradução “Passando pelo breu” de forma que rimasse os versos 10, 12 e 14. Ainda assim, a rima não ficou perfeita, pois, no original temos as rimas: “mine / line / mine” e em português: “meu / breu / meu”, quando analisamos sonoramente essa junção, temos no primeiro caso, fonemas abertos /i/ e /e/, e em português fonemas fechados /e/ e /u/, que causam reações diversas, como em meu caso, onde a tradução em português ficou um pouco mais “pesada, carregada” neste sentido.

TO: Have a system of aesthetics –

TT: Têm um sistema estético –

TO: Far superior to mine.

TT: Muito superior ao meu

Nos versos 13 e 14 “têm um sistema estético / Muito superior ao meu”, Dickinson diz que as borboletas possuem um sistema mais acurado que o dela, novamente vê-se a crítica à sociedade, que na verdade não se importa com o que realmente deveria se importar, que possui padrões e valores “distorcidos”, dos quais ela não se orgulha e faz questão de retratar em seus poemas.

Ao analisar o sentido de cada estrofe como conjunto, percebemos que acontece algo gradativo, começa com uma emoção no começo (1ª estrofe) e termina (2ª estrofe) com outra.  A segunda estrofe com relação à primeira é muito mais pesada e muito mais sofrida.

Assim como ressaltado no começo, apesar de parecer um texto livre de rimas, as rimas internas, é que dificultam a tradução. Encontramos nos versos 4, 6 e 8, a repetição da palavra “Which” no começo dos versos, Dickinson não possui uma receita de poema, existem rimas em seu texto do começo ao fim literalmente, em versos ímpares, em versos pares, que rimassem no começo ou no final dos versos e tudo isso em um único poema de 14 versos.

A questão principal abordada neste poema é a sociedade patriarcal de sua época. Dickinson critica aqui a sua sociedade e os ideais de beleza de forma sutil e bem irônica, falando em homens, sistemas estéticos, flores e borboletas, tornando tudo bastante enigmático, fazendo jus a sua fama.

3 Referências Bibliográficas:

­­­­­­­­­­­­­­­­­COTTER, Holland. “The Poet as Gardener and Tiger Lily”. The New York Times. (Apr. 30, 2010): Arts and Entertainment: PC23 (L).

Acessado em: 02 de Dezembro de 2012

Disponível em:

<http://www.nytimes.com/2010/04/30/arts/design/30dickinson.html?_r=0>

LIRA, José. “Presença do soneto na poesia de Emily Dickinson”. Fragmentos, número 34, p. 073/090 Florianópolis/ jan – jun/ 2008

Acessado em: 01 de Dezembro de 2012

Disponível em:

<http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/fragmentos/article/view/8842>

LIRA, José. Os mitos de ontem e as falácias de hoje: Emily Dickinson e a poesia sentimental”. REVISTA LETRAS, CURITIBA, N. 68, P. 27-48, JAN./ABR. 2006. EDITORA UFPR.

Acessado em: 03 de Dezembro de 2012

Disponível em:

<http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/letras/article/viewArticle/6136>

MOURÃO. Fernanda. “117 e outros poemas: à procura da palavra de Emily Dickinson”. Belo Horizonte, 11 de julho de 2008.

Acessado em: 01 de Dezembro de 2012

Disponível em:

<http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/handle/1843/ECAP-7H2Q44>

PETRINO, Elizabeth. “Emily Dickinson and her culture”. Critical Insights.

Acessado em: 02 de Dezembro de 2012

Disponível em:

<http://salempress.com/Store/pdfs/dickinson_critical_insights.pdf>

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Ron Mueck

A exposição na Pinacoteca do Estado de São Paulo “Ron Mueck” é realmente uma programação indispensável. A exposição abrange nove obras do escultor. As obras não são as mesmas que estiveram no Rio de Janeiro em março deste ano, desta forma, quem foi no Rio pode ir à exposição em São Paulo também.

Ver as imagens em fotos e pessoalmente é bem diferente. Os detalhes pensados para cada obra é muito rico e real. Ele teve a preocupação com todos os detalhes da figura humana, unhas (limpas e sujas), veias, varizes, feições, atitudes, etc.

Selecionei algumas fotos que mostram um pouco desses detalhes:

Nesta escultura temos o detalhe da barba, das linhas da boca semiaberta que mostra até o dente, as linhas dos olhos.

A vontade de tocar é grande!

Aqui pode-se observar que o menino está segurando o punho da menina com força, como se ele estivesse dando uma bronca.

E essa foi a minha favorita. Note a mão dele no braço dela, a marca do maiô nos ombros, as unhas e o pé.

Não percam essa oportunidade!

Abraços,

Marina Olivetti

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Boas Festas

Nós da Spell Traduções desejamos que em 2015 as palavras mais importantes e bonitas façam parte do seu ano, independente do idioma.

Que a qualidade Spell esteja cada dia mais presente em sua vida.

Agradecemos a sua parceria e confiança!

Boas Festas!

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GUIA DE POSTURA

Ótimas dicas de ergonomia para tradutores, revisores e todos os que trabalham por muitas horas em frente ao computador. Essas dicas te ajudarão a manter uma postura correta, trazendo mais bem-estar para o seu dia a dia de trabalho.

Às vezes não nos damos conta de que passamos a maior parte do dia trabalhando mal posicionados, e completamente inconscientes da nossa postura. Nos transformamos em uma máquina, reduzimos todo nosso corpo a uma grande cabeça cheia de preocupações e vamos automaticamente desempenhando nossas tarefas, com o único foco de dar conta de tudo. O resultado disso ao longo do tempo é um corpo bloqueado, cansaço extremo e noites mal dormidas. Condições básicas para o surgimento de dores crônicas e doenças relacionadas ao trabalho.

Passar a prestar atenção na nossa postura diária não custa muito, garante melhor desempenho no trabalho, nos poupa energia física e deixa a mente mais acordada.

O primeiro passo para ganhar boa consciência corporal é praticar qualquer atividade física. Aquela que faz você se sentir bem e dê prazer. Quando nos exercitamos ficamos mais próximos do nosso corpo e ouvi-lo e respeitá-lo fica mais fácil.

O segundo passo é cuidar para que o corpo não “desmorone na cadeira” ou que não tencionemos demais os músculos e articulações nas atividades diárias.

A seguir algumas dicas básicas para cuidar da sua postura:

Ao sentar-se certifique-se de que está sentado sobre os ísquios (os dois ossos pontudos da bacia, que ficam na transição entre os glúteos e o púbis). Para saber bem onde estão seus ísquios sente-se no chão e procure encostar esses ossinhos bem no chão. Se for preciso apalpe-os com as mãos.

Quando sentamos nos ísquios automaticamente endireitamos toda a coluna, o que não acontece se sentarmos sobre o osso sacro, que fica na base da coluna, e nos curvamos para frente ou pra trás.

Quando estiver sentado na cadeira os pés devem ter um apoio firme no chão. Se você não alcançar apoie os pés num banquinho pequeno, ou numa pilha de livros, o importante é que os joelhos fiquem num ângulo de 90 graus. Isso ajuda a não sobrecarregar a coluna lombar.

Se o ambiente de trabalho permitir, também é válido adotar a postura sentada com pernas cruzadas “de índio”, mesmo sob a cadeira, também é uma forma muito saudável de se sentar.

A altura da mesa e cadeira estão boas pra você se os antebraços ficam apoiados sobre a mesa ou o teclado do computador sem estarem muito encolhidos, ou muito distantes.

O importante é que os ombros fiquem confortáveis, sem tensão e principalmente longe das orelhas!

A altura dos olhos em relação à tela do computador é outro fator muito importante. Os olhos devem alcançar a tela sem que você precise abaixar ou levantar o pescoço.

Ao longo do dia isso causaria contrações desnecessárias e dores na cervical e maxilar.

A tela do computador deve ter uma luminosidade adequada e as máquinas mais antigas geralmente pedem o uso de filtro sobre a tela para não estressar os olhos.

Faça pequenas pausas de pelo menos cinco minutos a cada hora de trabalho.

Levante-se, mexa-se e alongue pescoço, braços e as mãos para desfazer as tensões.

MAIS DICAS

  • Certifique-se de que a temperatura do ambiente esteja agradável, com boa iluminação, sem lâmpadas piscando. Veja também se a ventilação está adequada e se o nível de ruído no ambiente está dentro do aceitável. Tudo isso interfere no conforto físico necessário para desempenhar o seu trabalho.
  • Nunca deixe de atender às suas necessidades fisiológicas, não segure demais antes de ir ao banheiro, nem deixe a fome apertar constantemente. Poucas coisas fazem tão mal à nossa saúde quanto isso. Parece um absurdo mencionar este item, mas é cada vez mais comum no mundo corporativo as pessoas “não terem tempo de ir ao banheiro” ou passarem longos períodos sem se alimentar!
  • Evite ao máximo almoço de negócios, reuniões de pauta ou qualquer coisa do tipo durante as refeições. Neste o horário sua mente e seu corpo devem descansar, focar apenas nos sentidos e guardar sua energia para a boa digestão dos alimentos. Fato fundamental para a boa disposição e saúde.

Como você pode ver estas são atitudes muito simples somadas ao bom senso, mas que fazem toda a diferença em nossas vidas. Respeito a si mesmo e dignidade são nossos direitos. Se sua empresa ou chefe não proporcionam essas condições para seus empregados, questione!

Cuide-se e faça sua parte! Isso refletirá em toda a sua vida e nas pessoas ao seu redor.

Fonte: http://www.personare.com.br/postura-correta-no-computador-m692

Ilustrações: Rodrigo Leão

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Fonética e Fonologia

Você sempre teve curiosidade em saber o que é fonética e fonologia? Resolvemos explicar de um jeito simples o que são e porque o estudo e conhecimento dessas áreas podem ajudar muito na hora de aprender uma nova língua.

“Existe uma expressão do português que é ‘dizer com todas as letras’, mas afinal, as pessoas falam através de letras ou através de sons? Pessoas analfabetas não falam?
Parece óbvio, mas é preciso deixar claro que, ao falar, os seres humanos utilizam sons (fones) e não letras (grafemas).”

BEDUSCHI, HEIDI. Fonética e fonologia, p.2.

O que é fonema?

Fonema é a representação sonora da nossa comunicação. As letras são representações gráficas desses fonemas, que variam de língua para língua.

Ex.: A palavra “hora” possui:

- Quatro letras (grafemas) = h-o-r-a

- Três sons (fonemas) = o-r-a

O que é fonética?

Fonética é uma área que estuda a produção de todos os sons usados para a comunicação humana. Como são os movimentos e posições da língua e outras partes da boca para cada tipo de fonema reproduzido.  Para representar de forma escrita esses fonemas que produzimos ao nos comunicar, usa-se um alfabeto diferente chamado Alfabeto Fonético Internacional.

O que é fonologia?

A Fonologia estuda os sons das línguas (seus sistemas sonoros), descrevendo o funcionamento dos sons específicos de uma determinada língua e as regras de suas produções. Tendo esse tipo de estudo, é possível haver uma análise comparativa entre os sistemas sonoros de duas línguas ou mais e descobrir, por exemplo, quais fonemas (sons) não existem em uma língua, mas existem em outra e vice-versa e como o uso incorreto dos sons pode afetar no significado do que se é falado.

Aqui estão exemplos do sistema fonológico inglês:

E afinal, por que saber isso seria útil para aprender uma nova língua?

Porque a fluência se conquista quando a comunicação falada não possui problemas. Ao se aprender uma nova língua, há muitos fonemas que não se consegue reproduzir, e essa pronúncia errada pode acarretar em muitos problemas na comunicação.
São diferenças sutis, mas que existem, por isso estudar o sistema fonológico da língua estrangeira é importante: você aprenderá a diferenciar os sons e usá-los corretamente.

Fontes bibliográficas:

V.R.Taveira; C.L.Gualberto/Pesquisas em Discurso Pedagógico 2012.2

BEDUSCHI, HEIDI. Fonética e fonologia.
http://www.mundoeducacao.com/gramatica/letras-fonemas.htm

http://www.fonologia.org/fonetica_articulatoria.php

http://marciorenato.files.wordpress.com/2013/04/livro_fonc3a9tica_e_fonologia_ade.pdf

http://www.infoescola.com/portugues/distincao-entre-fonetica-e-fonologia

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Toulouse-Lautrec

Hoje temos a homenagem a Toulouse-Lautrec!

24 de novembro de 1864 – 9 de setembro de 1901

Uma figura que vale a pena conhecer um pouco mais. A imagem dele está bem associada ao cabaré Moulin Rouge, tanto é que no filme “Moulin Rouge o Amor é Vermelho” o personagem dele foi incluído.

Quem for à Paris poderá conhecer um pouco mais sobre ele e apreciar alguns de seus quadros no Musée d’Orsay como também nas ruas de Montmartre. Imperdível!

Selecionamos algumas de suas obras:

As duas primeiras são referentes aos cartazes promocionais que ele fazia para os cabarés e as demais mostram os traços pós-impressionista do pintor.

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A Origem das Expressões

O Site Só Português disponibilizou uma lista de expressões da língua portuguesa com suas respectivas explicações e, em alguns casos, observações históricas e culturais.

Colocamos aqui abaixo algumas delas.

Vale a pena conferir!

A Origem das Expressões

A língua portuguesa possui inúmeras expressões interessantes. Muitas vezes, elas permanecem imutáveis ao longo de anos, representando um forte papel cultural para o idioma. Existem pessoas que se ocupam em pesquisar e descobrir a origem das expressões, que podem ser fundamentadas na cultura do próprio país, ou ainda ter influência estrangeira, mitológica, religiosa, histórica, etc.

Sabe-se que as expressões são adquiridas no contato direto com a língua, na socialização dos indivíduos. De acordo com estudos, a partir dos cinco ou seis anos, as crianças começam a usar algumas expressões e, daí em diante, continuarão a enriquecer o seu dicionário mental para sempre.

Santinha do pau oco

Expressão que se refere à pessoa que se faz de boazinha, mas não é. Nos séculos 18 e 19, os contrabandistas de ouro em pó, moedas e pedras preciosas utilizavam estátuas de santos ocas por dentro. O santo era “recheado” com preciosidades roubadas e enviado para Portugal.

Sem eira nem beira

Significa pessoas sem bens, sem posses. Eira é um terreno de terra batida ou cimento onde grãos ficam ao ar livre para secar. Beira é a beirada da eira. Quando uma eira não tem beira, o vento leva os grãos e o proprietário fica sem nada. Na região nordeste este ditado tem o mesmo significado mas outra explicação. Dizem que antigamente as casas das pessoas ricas tinham um telhado triplo: a eira, a beira e a tribeira como era chamada a parte mais alta do telhado. As pessoas mais pobres não tinham condições de fazer este telhado, então construíam somente a tribeira ficando assim “sem eira nem beira”.

Lua de mel

A expressão vem do inglês honeymoon. Na Irlanda, na Idade Média, os jovens recém-casados tinham o costume de tomar uma bebida fermentada chamada mead – ou hidromel, composta de água, mel, malte, levedo, entre outros ingredientes. O mel era considerado uma fonte de vida, com propriedades afrodisíacas. A bebida deveria ser consumida durante um mês (ou uma lua). Por essa razão, esse período passou a ser chamado de “lua de mel”.

Casa da mãe Joana

A expressão “casa da mãe Joana” alude a um lugar em que vale tudo, onde todo mundo pode entrar, mandar, uma espécie de grau zero de organização. A mulher que deu nome a tal casa viveu no século 14. Joana era condessa de Provença e rainha de Nápoles (Itália). Teve a vida cheia de confusões. Em 1347, aos 21 anos, regulamentou os bordéis da cidade de Avignon, onde vivia refugiada. Uma das normas dizia: “o lugar terá uma porta por onde todos possam entrar”. “Casa da mãe Joana” virou sinônimo de prostíbulo, de lugar onde impera a bagunça.

Chegar de mãos abanando

A origem mais aceita para a expressão está relacionada com os imigrantes que chegavam ao Brasil no século 19. Eles costumavam trazer da Europa ferramentas para o cultivo da terra, como foices e enxadas, além de animais, como vacas e porcos. Uma ferramenta poderia indicar uma profissão, uma habilidade, demonstrava disposição para o trabalho. O contrário, chegar de mãos abanando, indicava preguiça. Atualmente, quando uma pessoa vai a uma festa, mandam os bons modos que leve um presente. Se não o faz, diz-se que “chegou com as mãos abanando”.

Pensando na morte da bezerra

A história mais aceitável para explicar a origem da expressão é proveniente das tradições hebraicas, onde os bezerros eram sacrificados para Deus como forma de redenção de pecados. Conta-se que certa vez um rei resolveu sacrificar uma bezerra e que seu filho menor, que tinha grande carinho pelo animal, opôs-se. Independentemente disso, a bezerra foi oferecida aos céus e afirma-se que o garoto passou o resto de sua vida pensando na morte da bezerra. Assim, estar “pensando na morte da bezerra” significa estar distante, pensativo, alheio a tudo.

Farinha do mesmo saco

“Homines sunt ejusdem farinae” (São homens da mesma farinha, em latim) é a origem dessa expressão, utilizada para generalizar um comportamento reprovável. A metáfora faz referência ao fato de a farinha de boa qualidade ser posta em sacos separados, para não ser confundida com a de qualidade inferior. Assim, utilizar a expressão “farinha do mesmo saco” é insinuar que os bons andam com os bons, enquanto os maus preferem os maus.

Dor de cotovelo

A expressão teve origem nas cenas de pessoas sentadas em bares, com os cotovelos apoiados no balcão, bebendo e chorando a dor de um amor perdido. De tanto permanecerem naquela posição, as pessoas ficavam com dores nos cotovelos. Atualmente, é muito comum utilizar essa expressão para designar o despeito provocado pelo ciúme ou a tristeza causada por uma decepção amorosa.

Olha o passarinho!

Quando a fotografia foi inventada, a impressão da imagem no filme não se dava com a mesma rapidez dos dias atuais. Na metade do século 19, os fotografados tinham de permanecer parados por até 15 minutos, a fim de que sua imagem fosse impressa dentro da máquina. Fazer as crianças ficarem imóveis por tanto tempo era um verdadeiro desafio. Por isso, gaiolas com pássaros ficavam penduradas atrás dos fotógrafos, o que chamava a atenção dos pequenos. Assim, a expressão “Olha o passarinho” ficou conhecida como a frase dita pelo fotógrafo na hora da pose para a foto.

Ovelha Negra

Esta expressão não é brasileira nem restrita à língua portuguesa. Vários outros idiomas também a utilizam para designar alguém que destoa de um grupo, assim como uma ovelha da cor preta se diferencia em um rebanho de animais brancos. Na Antiguidade, os animais pretos eram considerados maléficos e, por isso, sacrificados em oferenda aos deuses ou para acertar certos acordos. Daí o hábito de chamar de “ovelha negra” aqueles que se diferenciam por desagradar e chocar aos demais.

Você pode encontrar outras expressões em: http://www.soportugues.com.br/secoes/proverbios/proverbios2.php

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Fernando Pessoa – The Bells

Fernando Pessoa nasceu em Lisboa – junho de 1888 – e morreu em novembro de 1935, na mesma cidade, aos 47 anos, em consequência de uma cirrose hepática. Sua última frase foi escrita na cama do hospital, em inglês, com a data de 29 de Novembro de 1935: ‘I know not what tomorrow will bring’ (Não sei o que o amanhã trará).

Seus poemas mais conhecidos foram assinados pelos heterônimos: Álvaro de Campos, Ricardo Reis, Alberto Caeiro, além de um semi-heterônimo, Bernardo Soares, que seria o próprio Pessoa, um ajudante de guarda-livros da cidade de Lisboa e autor do “Livro do Desassossego”, uma das obras fundadoras da ficção portuguesa no século 20.

Dentre as várias obras de Pessoa, hoje vamos compartilhar com vocês uma análise feita do poema “The Bells”. Ao final deste arquivo encontra-se o poema na íntegra e, além disso, estamos compartilhando um link direto do domínio público que traz 21 obras do autor que estão disponíveis para download.

ANÁLISE CRÍTICA DO POEMA “THE BELLS”

FERNANDO PESSOA


Kamila do Nascimento Lopes

O poema “The Bells” de Fernando Pessoa é carregado pela repetição de duas consoantes, percebe-se a aliteração frequente da lateral ‘L’ e da fricativa ‘S’, o que nos remete a uma fluída badalada de sino. Na estrofe, a seguir, e em vários outros versos similares, existe a alternância de sílabas, onde as sílabas mais acentuadas se intercalam com as sílabas menos acentuadas, aparentando o DIMDOMDIMDOM, ou seja, o som agudo – grave – agudo – grave do sino.

Ring, bells, ring out your song!

You remind me of some hapiness

(Perhaps one that I never felt),

Of what has been, of what last not long,

Of what was not but seems now a bliss,

Something of sorrow, something of despair

Is in me by your melody.

Sing, sing of the past which was fair –

You cannot call it back to me.”

Pessoa também usou da recorrência de palavras, em todo o poema, as palavras “Ring, Bells, Soul, Sing, Call, You cannot call it back to me”, com exceção da última frase usada duas vezes, as outras palavras possuem uma recorrência entre 5 a 15 vezes no poema. Com a intenção de frisar na imagem o som do objeto, a recorrência das palavras tem como objetivo estar sempre lembrando a presença da badalada do sino.

O eu-lírico do poema se recorda através do toque do sino, coisas da sua infância, coisas do seu passado que ficaram esquecidas para traz. Provavelmente ao se recordar, ele se dá conta de que a vida está passando e não de forma agradável, a ampulheta do tempo nunca pára e é de forma perdida, não aproveitada que o eu-lirico vê a sua vida agora.

Ainda com a intenção de reforçar a sonoridade do poema, grande parte das estrofes se iniciam com a frase, “Ring, bells, ring…”, essa assonância juntamente com os versos livres do poema, fazem com que não seja determinado uma métrica para o poema no todo, ela é variável de verso para verso.

“Ring, bells, ring – ring out clear!                          A

Perhaps by the vague sentiment that you raise               B

I know not why – you remind me of my infancy.”       C

“In the wordless speech of your own                  A

Ring out, wild bells, ring out!                      B

Ye have something of souls left alone”               A

Apesar de, não ser estabelecido uma métrica, a rima no poema “The Bells” ocorre de forma toante, ou seja, não há uma concordância idêntica no final das palavras a serem rimadas, mas sim, a sílaba tônica é quem rima no final dos versos (ex. own rima com alone).

Pessoa consegue transpor um tom de drama ao poema uma vez que ele utiliza palavras como dreams, sky, wings, soul, como contraponto de pain, death, misery, mad…

O eu-lírico do poema se sente extremamente entristecido com a condição em que a sua vida está agora, a metáfora: “Your soul is a tear”, quer remeter justamente essa posição, o som do sino (your soul) é o que o faz recordar das belas passagens vividas em sua infância, é uma lágrima porque o faz relembrar disso, é uma lágrima porque o faz querer voltar aquele tempo, um tempo o qual ele era inocente, jovem e feliz.

O sino é um símbolo ambíguo, ao mesmo tempo em que traz a boa nova, anuncia a decepção. Na maioria dos lugares, o sino é tido como instrumento de divulgação, em cidades do interior, quando um sino é tocado, este anuncia a morte de alguém, em cidades maiores, o sino é tocado como forma de celebração, ou como relógio informando a passagem das horas. Porém, independente da localização do eu-lirico, para ele o sino ao mesmo tempo em que anuncia sua doce infância, cheia de ventura e alegria, o coloca numa posição em que a passagem da vida está presente, anunciando a sua velhice, o final da sua jornada.

Quando o eu-lírico diz: “Ring out the song that tears out the heart” (Grifo meu), comprova o seu reconhecimento em relação ao sentido ambíguo do sino, com relação ao final de sua vida.  Rasga o coração, uma vez que anuncia a morte, e invoca a tristeza de se deparar com o fim da vida.

Auxiliado por grande número de antíteses (death – life; desparate – free; dreams – agony), o eu-lirico chora por algo maravilhoso que estava numa condição até então esquecida, que foi acordado pelo belo badalar do sino, condição a qual ele preferiria que nunca tivesse acontecido, mas que agora depois de despertado nunca mais conseguirá ser apagado.

Percebe-se um atormentamento nas ações do eu-lirico, que se julga “livre e desesperado”, pois só tem o poder de ficar parado esperando a morte chegar e é esse o motivo essencial que o faz chorar. Ao se dar conta de que a vida já passou e que não há nada que ele possa fazer a sua demência é assim justificado como tal, velho e sem poder.

Pessoa consegue transmitir todo o sentimento de desespero sentido pelo eu-lirico através da sonoridade das palavras e o uso de palavras escolhidas. A rima fechada em ‘o’ (drowned, bound, agony, sorrow…) causa esse sentimento pesado do poema, e a ligação feita com o badalar do sino, foram as grandes jogadas do escritor. Ambas as escolhas foram feitas com uma intenção, a de que ninguém é capaz de modificar o ciclo da vida, e assim como o eu-lirico todos estamos expostos ao tempo.

POEMA:

THE BELLS

Ring, bells, ring – ring out clear!

Perhaps by the vague sentiment that you raise -

I know not why – you remind me of my infancy.

Ring, bells, ring! Your soul is a tear.

What does it matter? My childhood’s glee -

You cannot call it back to me.

Ring, bells, ring out your song!

You remind me of some happiness

(Perhaps one that I never felt),

Of what has been, of what lasts not long,

Of what was not but seems now a bliss.

Something of sorrow, something of despair

Is in me by your melody.

Sing, sing of the past which was fair -

You cannot call it back to me.

Though you sing but your set melody,

Yet ring out wildly, wildly, bells!

Ring out the song that tears out the heart,

Speaking of what I know not, sing

To and fro till the soul’s deep smart

Calms itself by too much, too deep in the heart.

In the wordless speech of your own

Ring out, wild bells, ring out!

Ye have something of souls left alone;

Ye give me a sorrow, a deep ache of doubt,

Ununderstood sentiment sad…

Do you sing of my childhood that thus you should moan?

Then I was unconscious; now I am mad.

Ring out bells! Your sadness that stings

Has a sob as an inner sound.

I have in me colossal things.

Ring on! in your music I am drowned.

All in the world has a limit and bound.

Ring on, desperate and free!

Can ye not of skies and of wings

Speak loud to my misery?

Speak an ye will; except sorrow and pain

Ye bring not anything to me.

Ring out, wild bells, clearly, deep!

Whatever the pain ye sing of may be -

What does it matter? Life, death are one sleep

Full of dreams of agony.

All is unreal and we blind.

Ring out your song! I desire to weep

For all that my life might be.

All that you call or recall to my mind

You cannot bring nor bring back to me.

Fonte: Poesia Inglesa. Fernando Pessoa. (Organização e tradução de Luísa Freire. Prefácio de Teresa Rita Lopes.) Lisboa: Livros Horizonte, 1995. Pág 164.

Site para download das obras:

http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/ResultadoPesquisaObraForm.do?first=50&skip=0&ds_titulo=&co_autor=&no_autor=fernando%20pessoa&co_categoria=2&pagina=1&select_action=Submit&co_midia=2&co_obra=&co_idioma=&colunaOrdenar=DS_TITULO&ordem=asc

Referências bibliográficas:

LEITE, Carlos William. “Os 10 melhores poemas de Fernando Pessoa”. Disponível em: http://www.revistabula.com/522-os-10-melhores-poemas-de-fernando-pessoa-2/

Disponível em: http://www.suapesquisa.com/biografias/fernando_pessoa.htm

Disponível em: http://www.e-biografias.net/fernando_pessoa/

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Alice no País das Maravilhas

“Alice no País das Maravilhas”. Um filme clássico e conhecido mundialmente através da Disney. Porém, essa história enraizada na infância de muitos, possui muito mais do que se é mostrado na animação.

Para aqueles que nunca leram, já leram ou gostariam de ler o livro “Alice no País das Maravilhas” ou “Alice Através do Espelho” de Lewis Carroll, mostraremos aqui um pouco sobre o autor, a tradução feita por Maria Luiza de X. Borges da edição comentada de 2002 e sua opinião sobre traduções.

Primeiramente, deve-se deixar claro que “Alice no País das Maravilhas” possui diversas versões traduzidas:

-Monteiro Lobato (1931)
-Primavera das Neves (sem data)
-Oliveira Ribeiro Netto (sem data)
-Maria Thereza Cunha de Giacomo (1966)
-Sebastião Uchôa Leite (1980)
-Regina Stella Moreira Gomes (1984)
-Ana Maria Machado (1997)
-Isabel de Lorenzo e Nelson Ascher (1999)
-Rosaura Eichenberg (1998)
- Maria Luiz de X. Borges (2002)
- Jorge Furtado e Liziane Kugland (2008)
-Nicolau Sevcenko (2009)
-Clélia Regina Ramos (2009)

Como profissionais da área, sabemos o quanto é difícil (e até impossível) manter-se invisível em uma tradução. Cada obra traduzida é interpretada, “reinventada” e reescrita. Sendo assim, podemos concluir que existem 14 histórias diferentes da Alice, somente em português (entenda “diferente” no limite do estilo da escrita, do vocabulário e da interpretação de acordo com a cultura, não no sentido de que as traduções não seguem o original ou que são totalmente diferentes umas das outras).

Lewis Carroll (pseudônimo de Charles Lutwidge Dodgson) também fotografava, ele tinha uma modelo favorita, Alice Liddell, filha do deão da Christ Church College (futura Universidade de Oxford). Ele a usou como base para a criação de sua personagem mais famosa, também chamada Alice. Carroll publicou o romance “Alice’s Adventures in Wonderland” (Alice no País das Maravilhas) em 1865 e “Through the Looking Glass” (Através do Espelho) em 1872.
Para aqueles que leram o livro, é fácil entender o quanto ele parece ser, muitas vezes, “sem pé nem cabeça”. Nem em sonho as coisas poderiam ser tão malucas como são nesses dois romances. Maria Luiza Borges trabalhou muito nessas traduções, e a fez de modo grandioso. Não apenas traduziu uma história diferente, engraçada e muito reflexiva, mas também reescreveu poemas e letras de músicas difíceis, sendo que algumas vezes eram feitas de palavras inventadas (neologismos) pelo próprio Carroll.

Em entrevista à Carta Fundamental (Carta Capital) em dezembro de 2010, a tradutora, que recebeu menção honrosa do Prêmio Jabuti pela tradução do livro Alice: Edição comentada de Lewis Carroll (Zahar – 2002), expôs suas opiniões sobre traduções, em especial para o público infantil:

“CF: As versões clássicas são as mais recomendadas por estudiosos da literatura infantil. Por quê?

ML: Não é à toa que elas atravessaram os séculos. Elas calam fundo no coração humano. Há décadas a psicanálise vem se debruçando sobre os contos de fadas clássicos. Há mais mistérios em “Chapeuzinho Vermelho” do que sonha nossa vã filosofia.”

Para Borges, tradução boa é aquela que transmite a experiência mais próxima possível da que se teria ao ler a obra original, sem notas do tradutor, como se ela não tivesse sido traduzida e critica fortemente a ideia do “politicamente correto”, dizendo que não só é uma censura, mas também é prejudicial e empobrecedor. Acredita que qualquer obra infantil deve ser traduzida do modo que o autor tratou às crianças ao escrever para elas, sem tentar facilitar a leitura ou mascarar as partes menos inocentes, muito menos mudar as referências de outras culturas para nossa. Segundo Maria Luiza Borges, a linguagem nunca deve ser facilitada. Nem para crianças e nem para adultos. Por mais que seja difícil, e às vezes impossível, a leitura deve ter o gosto da época em que foi escrita, assim como o texto original tem.
Maria Luiza Borges recebeu menção honrosa do Prêmio Jabuti, em tradução, pelo livro Alice: Edição comentada de Lewis Carroll (Zahar), em 2002.
Para finalizar, apresentamos aqui um trecho do primeiro capítulo de Alice no País das Maravilhas (versão original e versão trazida por Borges), deixando a possibilidade de analisar a tradução e sentir, por vocês mesmos, a leveza que a história possui.

Down the Rabbit Hole

“There was nothing else to do, so Alice soon began talking again. Dinah’ll miss me very much to-night, I should think!’ (Dinah was the cat.) `I hope they’ll remember her saucer of milk at tea-time. Dinah my dear! I wish you were down here with me! There are no mice in the air, I’m afraid, but you might catch a bat, and that’s very like a mouse, you know. But do cats eat bats, I wonder?’ And here Alice began to get rather sleepy, and went on saying to herself, in a dreamy sort of way, `Do cats eat bats? Do cats eat bats?’ and sometimes, `Do bats eat cats?’ for, you see, as she couldn’t answer either question, it didn’t much matter which way she put it.”
Pela toca do Coelho

“Tenho a impressão de que Dinah vai sentir muita falta de mim esta noite!’ (Dinah era a gata.) [...]Queria que você estivesse aqui embaixo comigo! Pena que não haja nenhum camundongo no ar, mas você poderia apanhar um morcego, é muito parecido com camundongo. Mas será que gatos comem morcegos?’ E aqui Alice começou a ficar com muito sono, e continuou a dizer para si mesma, como num sonho: ‘Gatos comem morcegos? Gatos comem morcegos?’ e às vezes ‘Morcegos comem gatos?’ pois, como não sabia responder a nenhuma das perguntas, o jeito como as fazia não tinha muita importância. ”
Bibliografia:
DOS REIS, GOMES JO. O segredo de traduzir. Carta fundamental, Carta Capital online, dez. 2010. Disponível em: http://www.cartacapital.com.br/carta-fundamental-arquivo/o-segredo-de-traduzir-2. 20/05/2014

LUIZA DE X. BORGES. Alice: Edição Comentada. Editora Zahar, 2002.

CARROLL, LEWIS. Alice’s Adventures in Wonderland . The Millennium Fulcrum. Edition 2.7, 1991 Disponível em: http://www.cs.indiana.edu/metastuff/wonder/ch1.html

FURTADO, JORGE. Jorge furtado compara traduções brasileiras de Alice no País das Maravilhas, jornal Zero Hora, março de 2010. Disponível em: http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticia/2010/03/jorge-furtado-compara-traducoes-brasileiras-de-alice-no-pais-das-maravilhas-2837581.html

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Freelancer

No post de hoje iremos falar sobre as principais vantagens e desvantagens de se trabalhar como freelancer.

O termo freelancer é conhecido popularmente no Brasil pela expressão freela. É um termo em inglês que denomina o profissional autônomo que se autoemprega e cuida de seus projetos e clientes de forma independente.

É uma tendência em alta principalmente nos mercados de jornalismo, design, propaganda, Web, tecnologia da informação, música e tradução!

Listamos abaixo alguns pontos que podem ser considerados vantagens ou desvantagens de acordo com o perfil de cada pessoa:

-Organização do seu próprio tempo: Para as pessoas que são organizadas e que conseguem cuidar do seu tempo este ponto com certeza será uma vantagem! Como freelancer não será necessário mais a suprevisão de chefes e gerentes. Você cuidará do seu tempo da forma que julgar melhor para você e para o seu trabalho. Mas, cuidado! Cuidar do seu próprio tempo é sinônimo de muita organização e responsabilidade para que isso não se torne um problema para seus clientes ou até mesmo para você: fazendo com que você só trabalhe e deixe de ter uma vida pessoal.

-Impostos: como freelancer você será responsável por pagar todos os impostos obrigatórios ao Governo. Assim como a emissão de notas fiscais, recibos e/ou outros. Essa será uma preocupação e um cuidado que passarão a fazer parte da sua vida!

-Dinheiro: este é um ponto que irá variar mês a mês, dependendo da sua produção e também do envio de trabalhos por parte dos clientes. Desta forma, é um ponto que deve ser muito bem organizado para que não haja problemas financeiros gerais.

-Benefícios: Ao trabalhar como freelancer a pessoa perde os benefícios como vale alimentação, seguro saúde (quando a empresa fornece), férias, 13 salário, entre outros.

-Convívio Social: ao trabalhar em uma empresa você tem a possibilidade de estar em contato com outras pessoas durante o dia todo. Isso possibilita uma troca muito rica de experiências e conhecimento. O contato diário deixa de existir quando uma pessoa se torna freelancer. Com isso, ela passa a trabalhar sozinha e perde a possibilidade das conversas e da troca cotidiana. Muitas vezes essa troca é encontrada pelos profissionais freelancers em grupos de discussões ou redes sociais.

Nós queremos saber o que você acha de ser freelancer! Você acha que existem mais vantagens ou desvantagens nessa forma de trabalhar? Compartilhe sua opinião com a gente!

Abraços,

Joanna Niero

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