Tongue Twister

I cannot bear to see a bear
Bear down upon a hare.
When bare of hair he strips the hare,
Right there I cry, “Forbear!”

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Análise Estrutural do Gato Preto – Um conto de Edgar A. Poe

O Gato Preto (The Black Cat) é um conto de Edgar Allan Poe, famoso autor, poeta, editor e crítico literário que fez parte do movimento romântico americano. O conto foi publicado em uma edição do “Saturday Evening Post” em 19 de agostos de 1843. É um estudo da psicologia da culpa, assim como muitas obras de Poe.

Caso vocês tenham interesse, o site “http://www.ufrgs.br/soft-livre-edu/vaniacarraro/files/2013/04/o_gato_preto-allan_poe.pdf“ disponibiliza sua obra na íntegra!!

Análise Estrutural de um conto de Edgar A. Poe

Por: Kamila do Nascimento Lopes

Conto: “O Gato Preto”

Questão: Qual é a relação/função proposta pelo autor, que o gato preto tem com o personagem principal dentro da obra?

Hipótese: Talvez o gato preto seja a consciência do personagem, seja o motivador de suas loucuras e insanidades, todo ser humano é composto pela perversidade, e é através desta que o personagem principal comete todos os seus crimes, o gato desperta no Homem o seu lado ruim e ao mesmo tempo compõe o seu lado bom, pois no fim da obra, é este gato que delata seu crime.

Descrição dos Elementos Estruturais:

Sequências:

S1: Para a muito estranha embora muito familiar narrativa… Impedi-lo de acompanhar-me pelas ruas.

S2: Nossa amizade durou,… E de aparência um tanto semelhante com que substituí-lo.

S3: Certa noite, sentado,… Sim, dormi, mesmo com o peso de uma morte na alma

S4: O segundo e o terceiro dia…  Eu havia emparedado o monstro no túmulo!

Funções cardinais:

F1: Salientei-me, desde a infância, pela docilidade e humanidade de meu caráter.

F2: Casei-me ainda moço e tive a felicidade de encontrar em minha mulher um caráter adequado ao meu.

F3: Tínhamos pássaros, peixes dourados, um lindo cão, coelhos, um macaquinho e um gato.

F4: Só eu lhe dava de comer.

F5: Tornava-me dia a dia mais taciturno, mais irritável, mais descuidoso dos sentimentos alheios.

F6: Não somente descuidei-me deles, como os maltratava.

F7: Tirei do bolso do colete um canivete.

F8: Arranquei-lhe um dos olhos da órbita.

F9: Fui despertado do sono pelos gritos de: “Fogo!”

F10: Entreguei-me então ao desespero.

F11: Vi, como se gravada em baixo relevo sobre a superfície branca, a figura de um gato gigantesco.

F12: Toquei-a com a mão

F13: O animal deu mostras de querer acompanhar-me.

F14: Comecei a sentir desperta-se em mim antipatia contra ele.

F15: Minha mulher chamara mais de uma vez a minha atenção para a natureza da marca de pêlo branco.

F16: Era agora, a imagem de uma forca.

F17: Nem de dia nem de noite era-me dado mais gozar a bênção do repouso.

F18: Ela me acompanhou para alguma tarefa doméstica.

F19: O gato desceu os degraus

F20: Quase me lançou ao chão.

F21: Descarreguei um golpe no animal.

F22: Detido pela mão de minha mulher.

F23: Enterrei o machado em seu crânio.

F24: Ela caiu morta.

F25: Muitos projetos me atravessavam a mente.

F26: Decidi emparedá-lo na adega.

F27: Senti-me satisfeito por ver que tudo estava direito.

F28: Procurar o animal.

F29: Dormi profunda e tranquilamente.

F30: O monstro abandonara a casa para sempre.

F31: Chegou à casa um grupo de policiais.

F32: Não senti o menor incômodo.

F33: Por fim, pela terceira ou quarta vez, desceram à adega.

F34: Os policiais ficaram inteiramente satisfeitos.

F35: Tornar indubitavelmente segura a certeza neles de minha inculpabilidade.

F36: Bati pesadamente com uma bengala que tinha na mão justamente naquela parte do entijolamento.

F37: Respondeu-me uma voz do túmulo.

F38: Uma dúzia de braços robustos se atarefava em desmanchar a parede.

F39: Ela caiu inteiriça.

F40: Sobre sua cabeça, estava assentado o horrendo animal cuja astucia me induzira ao crime.

F41: Eu havia emparedado o monstro no tumulo.

Catálises:

C1: Para a muito estranha embora muito familiar narrativa… São de causas e efeitos, bastante naturais.

C2: Gostava de modo especial de animais… E a fidelidade frágil do simples Homem.

C3: Este último era um belo animal… Ter-me vindo à lembrança.

C4: Enquanto isso o gato,… Simples fato de compreendermos que ela é a Lei?.

C5: Não tenho a fraqueza de buscar estabelecer… Com uma atenção muito ávida e minuciosa.

C6: Ao dar, a princípio, com essa aparição… Cedo a tal coisa ali situada.

C7: Durante algumas semanas… Quimeras que seria possível conceber.

C8: Para um objetivo semelhante… Recobri o novo entijolamento.

Informantes:

If1: Amanhã, morrerei.

If2: Certa noite.

If3: Certa manhã.

If4: Na noite do dia no qual pratiquei essa crudelíssima façanha.

If5: Visitei os escombros no dia seguinte.

If6: Durante meses.

If7: Certa noite.

If8: Durante algumas semanas.

If9: Na manhã seguinte à em que o trouxera para casa.

If10: Certo dia.

If11: O segundo e o terceiro dia se passaram.

If12: No quarto dia depois do crime.

Indícios:

I1: Para a muito estranha.

I2: Fidelidade frágil do simples Homem.

I3: Graças à diabólica intemperança.

I4: Coro, abraso-me, estremeço ao narrar a condenável atrocidade.

I5: E então, apareceu, como para a minha queda final e irrevogável, o espírito de perversidade.

I6: O espírito de perversidade, repito, veio a causar, minha derrocada final.

I7: Pratiquei essa crudelíssima façanha.

I8: E não desejo que nem mesmo um possível elo seja negligenciado.

I9: Um gato gigantesco.

I10: Era um gato preto, tão grande como Plutão.

I11: Este gato tinha uma grande, embora imprecisa, mancha branca.

I12: Era agora, a imagem de uma forca, terrível máquina de horror e de crime, de agonia e de morte!.

I13: Levando-me a odiar todas as coisas e toda a Humanidade.

I14: Exasperando-me até a loucura.

I15: O júbilo de meu coração era demasiado forte para ser contido. 

A análise estrutural do conto de Edgar A. Poe é baseada no modelo de análise proposto por Roland Barthes.

Podemos começar analisando as divisões das sequências que se dão no conto. Este conto foi dividido em quatro sequências: a primeira sequência (inicio do conto até F4), se dá no período de felicidade do personagem, ele ainda possuía a sua essência de docilidade, por consequência, a segunda sequência (de F5 até F11) inicia quando o personagem entra na fase de perversidade, a terceira sequência (de F12 até F29), desencadeia a busca por outro gato preto de modo a reverter à sensação de culpa do narrador-personagem e vai até a finalização de seu crime perfeito, já a quarta sequência (de F30 até F41) retrata o perfil de insanidade do personagem.

Através dos elementos nomeados como Funções cardinais (F1 à F41) podemos elaborar uma explicação mais abrangente do conto, essas funções têm como objetivo descrever as ações principais da obra, analisando assim, o que temos em primeiro e em segundo plano. É um conjunto de ações que descrevem a obra em um âmbito geral, sendo assim podemos comparar o número de funções cardinais que se dão dentro de uma sequência.

O número de funções encontradas na terceira sequência [S3] é relativamente superior do que em relação às encontradas na primeira sequência [S1] (18-4), uma vez que, a S3, relata toda a experiência do personagem com o novo gato preto e o crime cometido à sua esposa, o que dá pouca margem para os momentos descritivos que são as catálises (C1 até C8). Como contrabalança disso, as catálises encontradas na S1 são o dobro das encontradas na S3 (4-2). A última sequência [S4] não possui nenhuma catálise, apenas funções cardinais.

As catálises funcionam no conto como um tipo de explicação ou complementação das falas do narrador-personagem: ”Ao falar da inteligência dele (gato), minha mulher, que no íntimo não tinha nenhum pouco de superstição…” [C3] o exemplo se encaixa como um complemento à característica da mulher que não acreditava em superstição.

Muitos dos indícios (I1 à I15) encontrados no conto representam futuros encadeamentos para as futuras ações do personagem, em “Levando-me a odiar todas as coisas e toda a Humanidade” [I13] podemos concluir que no estado em que este personagem se encontrava, de total insanidade, e após dizer esta fala, para ele nada mais era relevante, ou seja, cometer um crime à sua mulher nada mais significou para ele do que a passagem da insanidade para um momento de paz e solidão.

Devemos levar em consideração também as escolhas feitas por Edgar A. Poe, a escolha de um gato preto, não foi feita com mera casualidade, tendo em vista todas as características de sua obra, podemos afirmar que o gato preto foi a escolha perfeita para o autor, uma vez que, o símbolo do gato preto traz consigo, a misticidade do animal, o mistério, seu poder de ter sete vidas, pode até ser por este motivo, que na obra, após a morte de Plutão, o outro gato preto aparece de forma misteriosa, traçando características parecidas com a do primeiro, como vemos nos indícios [I10, I11 e I12], diferenciando apenas pela mancha branca, que por fim tem o formato de uma forca, estabelecendo assim uma relação com o primeiro que morreu enforcado.

Quanto à temporalidade do texto, esta se dá de forma bastante imprecisa pelos Informantes (If1 a If12), o autor não prioriza as datas, como por exemplo, “Na manhã seguinte à em que o trouxera para casa” [If9], mas qual manhã? Não podemos afirmar nada, tudo que podemos fazer, é estabelecer uma relação entre ambos os gatos pretos, onde se segue uma cronologia, Plutão – Relação de carinho – Perversidade – Morte, que é renovada quando surge o outro gato preto.

Concluindo, podemos estabelecer grande relação entre todos os componentes da análise estrutural, existe um personagem principal que se relaciona com os demais, gato, esposa e os policiais, o conto desencadeia um drama muito bem estruturado, o que o torna um conto muito intrigante, que na maioria das vezes não dá margem para supostas explicações.

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MBA no Reino Unido

Dica para quem tem interesse em fazer um MBA fora do país:

Conheça as oportunidades na University of Cambridge e City University London no MBA Tour.

Para se increver, acesse o site: http://www.thembatour.com/email/2014/Brasil-Aug-2014-mbatour-FK-Partners.html

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DINAFON Meeting 2014

Dica:

O “1st International DINAFON Meeting 2014″ é um evento que ocorrerá de 18 a 21 de agosto, na Universidade Estadual de Campinas/UNICAMP, pela primeira vez aberto a estudantes, profissionais e docentes do mundo todo.

O evento contará com cursos, palestras e apresentações nacionais e internacionais nos temas de Fonética/Fonologia, Psicolinguística, Neurolinguística, Modelamento Computacional, Variação e Mudança Linguística, Aquisição de Linguagem (L1 or L2), entre outros.

Contando com amplo corpo docente internacional  e muitos participantes estrangeiros, o evento terá como objetivo estreitar contatos entre pesquisadores, incentivando a ciência Brasileira a andar lado a lado com os últimos avanços internacionais. Por tal razão, o inglês é a língua oficial do evento.

Para incrições e mais informações acesse: http://www.dinafon.iel.unicamp.br/eng/events/dinafon2014/main

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Membros da Academia Brasileira de Letras

Nas últimas semanas postamos publicações sobre escritores brasileiros. Em curto tempo perdemos três escritores renomados, sendo dois membros da Academia Brasileira de Letras (ABL): Ariano Suassuna e João Ubaldo Ribeiro.

Desta forma, há atualmente três cadeiras vagas que, de acordo com a ABL, para candidatar-se é preciso ser brasileiro nato e ter publicado, em qualquer gênero da literatura, obras de reconhecido mérito ou, fora desses gêneros, livros de valor literário.

A ABL é constituída por 40 membros efetivos e perpétuos. Além deste quadro, existem 20 membros correspondentes estrangeiros. Os imortais são escolhidos mediante eleição por escrutínio secreto. Quando um Acadêmico falece, a cadeira é declarada vaga na Sessão de Saudade, e a partir de então os interessados dispõem de um mês para se candidatarem, através de carta enviada ao Presidente. A eleição transcorre três meses após a declaração da vaga.

Listamos abaixo os membros representantes das 40 cadeiras mostrando as três cadeiras vagas. É uma forma de revermos os nomes que ocupam a ABL, os que conhecemos, os que não conhecemos e também como uma forma de ler e reler obras importantes.

Cadeira 1:

Adelino Fontoura 1 Patrono
Luís Murat 1 Fundador
Ana Maria Machado 1 Atual

Cadeira 2:

Álvares de Azevedo 2 Patrono
Coelho Neto 2 Fundador
Tarcísio Padilha 2 Atual

Cadeira 3:

Artur de Oliveira 3 Patrono
Filinto de Almeida 3 Fundador
Carlos Heitor Cony 3 Atual

Cadeira 4:

Basílio da Gama 4 Patrono
Aluísio Azevedo 4 Fundador
Carlos Nejar 4 Atual

Cadeira 5:

Bernardo Guimarães 5 Patrono
Raimundo Correia 5 Fundador
José Murilo de Carvalho 5 Atual

Cadeira 6:

Casimiro de Abreu 6 Patrono
Teixeira de Melo 6 Fundador
Cícero Sandroni 6 Atual

Cadeira 7:

Castro Alves 7 Patrono
Valentim Magalhães 7 Fundador
Nelson Pereira dos Santos 7 Atual

Cadeira 8:

Cláudio Manuel da Costa 8 Patrono
Alberto de Oliveira 8 Fundador
Cleonice Berardinelli 8 Atual

Cadeira 9:

Domingos Gonçalves de Magalhães 9 Patrono
Carlos Magalhães de Azeredo 9 Fundador
Alberto da Costa e Silva 9 Atual

Cadeira 10:

Evaristo da Veiga 10 Patrono
Rui Barbosa 10 Fundador
Rosiska Darcy de Oliveira 10 Atual

Cadeira 11:

Fagundes Varela 11 Patrono
Lúcio de Mendonça 11 Fundador
Helio Jaguaribe 11 Atual

Cadeira 12:

França Júnior 12 Patrono
Urbano Duarte 12 Fundador
Alfredo Bosi 12 Atual

Cadeira 13:

Francisco Otaviano 13 Patrono
Visconde de Taunay 13 Fundador
Sergio Paulo Rouanet 13 Atual

Cadeira 14:

Franklin Távora 14 Patrono
Clóvis Beviláqua 14 Fundador
Celso Lafer 14 Atual

Cadeira 15:

Gonçalves Dias 15 Patrono
Olavo Bilac 15 Fundador
Marco Lucchesi 15 Atual

Cadeira 16:

Gregório de Matos 16 Patrono
Araripe Júnior 16 Fundador
Lygia Fagundes Telles 16 Atual

Cadeira 17:

Hipólito da Costa 17 Patrono
Sílvio Romero 17 Fundador
Affonso Arinos de Mello Franco 17 Atual

Cadeira 18:

João Francisco Lisboa 18 Patrono
José Veríssimo 18 Fundador
Arnaldo Niskier 18 Atual

Cadeira 19:

Joaquim Caetano da Silva 19 Patrono
Alcindo Guanabara 19 Fundador
Antonio Carlos Secchin 19 Atual

Cadeira 20:

Joaquim Manuel de Macedo 20 Patrono
Salvador de Mendonça 20 Fundador
Murilo Melo Filho 20 Atual

Cadeira 21:

Joaquim Serra 21 Patrono
José do Patrocínio 21 Fundador
Paulo Coelho 21 Atual

Cadeira 22:

José Bonifácio 22 Patrono
Medeiros e Albuquerque 22 Fundador
Ivo Pitanguy 22 Atual

Cadeira 23:

José de Alencar 23 Patrono
Machado de Assis 23 Fundador
Antônio Torres 23 Atual

Cadeira 24:

Júlio Ribeiro 24 Patrono
Garcia Redondo 24 Fundador
Sábato Magaldi 24 Atual

Cadeira 25:

Junqueira Freire 25 Patrono
Franklin Dória (Barão de Loreto) 25 Fundador
Alberto Venancio Filho 25 Atual

Cadeira 26:

Laurindo Rabelo 26 Patrono
Guimarães Passos 26 Fundador
Marcos Vinicios Rodrigues Vilaça 26 Atual

Cadeira 27:

Maciel Monteiro 27 Patrono
Joaquim Nabuco 27 Fundador
Eduardo Portella 27 Atual

Cadeira 28:

Manuel Antônio de Almeida 28 Patrono
Inglês de Sousa 28 Fundador
Domício Proença Filho 28 Atual

Cadeira 29:

Martins Pena 29 Patrono
Artur Azevedo 29 Fundador
Geraldo Holanda Cavalcanti 29 Atual

Cadeira 30:

Pardal Mallet 30 Patrono
Pedro Rabelo 30 Fundador
Nélida Piñon 30 Atual

Cadeira 31:

Pedro Luís 31 Patrono
Guimarães Júnior 31 Fundador
Merval Pereira 31 Atual

Cadeira 32:

Araújo Porto-Alegre 32 Patrono
Carlos de Laet 32 Fundador
Ariano Suassuna 32 vaga

Cadeira 33:

Raul Pompéia 33 Patrono
Domício da Gama 33 Fundador
Evanildo Bechara 33 Atual

Cadeira 34:

Sousa Caldas 34 Patrono
J. M. Pereira da Silva 34 Fundador
João Ubaldo Ribeiro 34 vaga

Cadeira 35:

Tavares Bastos 35 Patrono
Rodrigo Octavio 35 Fundador
Candido Mendes de Almeida 35 Atual

Cadeira 36:

Teófilo Dias 36 Patrono
Afonso Celso 36 Fundador
Fernando Henrique Cardoso 36 Atual

Cadeira 37:

Tomás Antônio Gonzaga 37 Patrono
Silva Ramos 37 Fundador
Ivan Junqueira 37 vaga

Cadeira 38:

Tobias Barreto 38 Patrono
Graça Aranha 38 Fundador
José Sarney 38 Atual

Cadeira 39:

Francisco Adolfo de Varnhagen 39 Patrono
Oliveira Lima 39 Fundador
Marco Maciel 39 Atual

Cadeira 40:

Visconde do Rio Branco 40 Patrono
Eduardo Prado 40 Fundador
Evaristo de Moraes Filho 40 Atual

Para maiores informações, acesso o site:

http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=540

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João Ubaldo Ribeiro

João Ubaldo Ribeiro

1941 – 2014

Como forma de homenagear João Ubaldo Ribeiro, selecionamos uma reportagem feita pela revista Veja em 2011 por Maria Carolina Maia.

Nessa reportagem, João Ubaldo comenta sobre o prêmio recebido em 2008 – Prêmio Camões: “Depois de mordido pelo Imposto de Renda, o prêmio não é o mesmo. É menos de um décimo do que um BBB recebe”.

Acredito que esse ponto por ele levantado deve ser refletido e questionado por todos. O que valorizamos nos tempos de hoje?

Seu último livro, O Albatroz Azul, saiu há dois anos. E agora o senhor está lançando um infanto-juvenil. Há algum romance em vista?
Eu estou tentando escrever (risos). Já tenho três começos escritos, de cerca de cinqüenta páginas cada um, para o livro. Cada um deles é diferente do outro, em maior ou menor proporção, mas o romance não embala, porque eu tenho tido muita solicitação, talvez porque 70 anos seja um número redondo, demonstração de longevidade, não sei… Sei que eu tenho tido uma série de convites para viajar e participar de eventos, e a maior parte deles é difícil ou impossível de recusar, seja porque tem algum amigo meu envolvido seja porque se trate de um evento assim que me interesse. Mas eu normalmente não gosto de ir, não, porque atrapalha o meu trabalho. Desconcentra e faz com que o romance em andamento, como me ensinou a dizer Rubem Fonseca, desande. É verdade: quando se volta a um romance abandonado, principalmente no começo, ele desanda, perde-se intimidade com os personagens. Então, eu nem sei se estou escrevendo realmente, porque estou nessa situação, pensando vagamente em fugir, me refugiar em algum lugar para poder escrever.

Que começos o senhor imaginou para esse novo livro?
Eu mesmo nem sei direito se estou escrevendo de fato um livro. Acho que ainda estou lidando com uma definição de ponto de vista, uma caracterização do narrador, coisa que me preocupa muito normalmente. Quando fiz A Casa dos Budas Ditosos (1999), me esforcei para criar a narradora. O livro é escrito em primeira pessoa por uma mulher, eu tive de me disfarçar – eu me travesti ou me transexuei, mudei de sexo para ser o narrador. Muitas leitoras me perguntaram se aquela senhora realmente existe, o que me envaidece. Ora, se aquela senhora é suficientemente verossímil para suscitar essa pergunta é porque eu fiz direito o meu trabalho.

O senhor disse que não sabe ainda se está escrevendo de fato um livro. É possível que abandone o projeto?
É possível. Já aconteceu de livros meus gorarem. Espero que não aconteça dessa vez, se bem que está dando toda a pinta de que pode ocorrer, porque este é um ano particularmente ocupado para mim. Tem a Flip, uma série de eventos, enfim, tem uma porção de coisas a que eu vou provavelmente comparecer e que vão atrapalhar com certeza a feitura do livro.

Dicionários, notas, leituras paralelas: de que modo esses recursos podem ajudar a escrever?
Sempre usei dicionário, mesmo no tempo em que eram livrões, e não era tão fácil de consultar como hoje. Agora, eu talvez use de modo descomedido, pela facilidade. Eu tenho três ou quatro dicionários de português. Notas, eu uso pouco. A maioria das notas que faço eu não entendo quando leio. E outras leituras enquanto escrevo eu evito por trauma. Aconteceu comigo, por volta dos 20 anos, de ter plagiado um livro que havia lido sem notar. Até que um belo dia ligou uma espécie de desconfiômetro em mim de que eu havia escrito praticamente igual a alguma coisa que eu havia lido. A partir daí, fiquei com uma surpresa permanente.

Que livro o senhor plagiou sem querer na juventude?
Eu não me lembro exatamente que livro eu plageei. Me lembro apenas de estar lendo O Vermelho e o Negro, de Stendhal, enquanto escrevia o meu primeiro romance, Setembro Não Tem Sentido, e esses são livros completamente diferentes, e de depois ter visto no meu romance um texto muito parecido com algum que eu estava lendo (talvez o de Stendhal), o que me traumatizou.

O senhor chegou a ser anunciado como convidado da Flip de 2004, mas desistiu de ir. O que o fez aceitar participar agora?
Eu desisti em 2004, porque meu nome não aparecia na divulgação do evento. Comecei a ficar intrigado com aquilo e cheguei mesmo a pensar, honestamente, que não era convidado. Meu nome nunca saía entre os participantes. Aí, um belo dia, disse que assim não queria participar. Não queria sair nos etecéteras. Mas não foi um grave problema, eu não briguei com ninguém, nem disse que jamais aceitaria ir à Flip. Só não queria ser tratado como um etecétera, porque, afinal de contas, não era um autor principiante. E só voltei agora a aceitar participar porque só agora me chamaram de novo.

O senhor já sabe de que mesa tomará parte?
Ainda não sei de nada. Eu sei que quem estará comigo à mesa é o Rodrigo Lacerda, que é meu amigo, filho de um grande amigo meu, o editor Sebastião Lacerda. É um escritor de grande valor, um dos romancistas que eu acho mais importantes nessa nova geração.

Que outros escritores o senhor admira entre os mais novos?
Eu gosto muito do Rodrigo, acho ele um escritor de grande valor, mas falei o nome dele porque será meu companheiro de mesa na Flip, e não vou citar mais ninguém (risos). Eu de fato não acompanho como poderia a literatura nova. Sempre reli mais do que li. Meu pai dizia, quando eu era jovem, que eu era maluco por ficar relendo os mesmos livros. Agora, então, depois de velho, eu fico lendo às vezes as mesmas páginas de Shakespeare, Mark Twain, Jorge de Lima. Não sei se é um prazer neurótico, o fato é que eu gosto.

Que convidados da Flip deste ano o senhor já leu e recomendaria?
Eu sempre fui desligado… Não sei quais são os convidados deste ano e provavelmente não li nenhum, portanto, não iria recomendar a leitura.

O senhor já declarou ter se irritado com a idolatria exagerada em torno de Sargento Getúlio (1971). E, com Diário do Farol (2002), sofreu com leitores que não entenderam que os desvarios do livro eram relacionados a seu personagem maluco, não criados pelo senhor. Esses fatos representam leitores diferentes – uns mais esclarecidos, outros menos – ou estão ligados a um mesmo problema de formação cultural do brasileiro?
Esse negócio de leitor é meio misterioso. É muito comum que o leitor, da maneira mais inesperada, não entenda uma ironia. Não entenda que o escritor está dizendo o contrário do que está dito. O narrador de Diário do Farol xinga o leitor. Não eu, João Ubaldo, mas muita gente reclamou que eu xingava os leitores. Isso é falta de prática de leitura. É falta de ter lido Angústia, do Graciliano Ramos, que é contado na primeira pessoa e quem se dirige ao leitor não é o Graciliano, é o personagem. Isso reflete falta de cancha com leitura, de vivência de formatos, de conhecimento. Tem que se contar com isso, faz parte.

Seus livros são muito diferentes – Diário do Farol (2002), por exemplo, é sombrio, enquanto O Albatroz Azul (2009) é um livro mais leve e bem-humorado. A que se devem essas diferenças, aos momentos de vida em que os livros foram escritos?
Não sei dizer se meus livros são alegres ou sombrios a depender de como eu esteja me sentindo. Eu acho que depende mais do assunto, mas talvez, aí, só sondando o meu inconsciente. Talvez eu escolha o assunto por me sentir mais particularmente alegre ou pessimista, conforme o caso, não sei. E olhando mais tarde dá mesmo vontade de mexer no que a gente fez, sempre dá. Acho que a maioria dos escritores é assim e os editores dirão que toda vez que o texto vai para a revisão do autor ele quer meter a mão. E tem gente que mete, mesmo. Eu procuro me conter, mas às vezes não aguento e meto a mão, sim, porque há sempre um jeito de fazer e dizer melhor as coisas. A perfeição não é um atributo humano. É inatingível. Mas a gente fica fazendo força para conseguir. E aí é uma tentação irresistível. Claro que eu mexeria em muita coisa.

O senhor se diz religioso. Acha que de algum modo isso transparece em sua literatura ou procura evitar que aconteça?
Não acho que literatura seja lugar de pregação de nada. Evidentemente que subjacente ao texto literário ou entremeado com ele, de alguma forma, pode haver uma visão religiosa ou cristã da vida. Nos meus livros, sempre há padres, isso é frequente (risos). Mas nem sempre padres positivos, digamos assim. Alguns dos meus padres, talvez a maioria, não seja muito respeitável de acordo com os cânones católicos. Também há padres bons, como o santo de Vila Real. Mas eu não penso muito nisso, não procuro fazer nem evitar. A minha fé é uma coisa pessoal que me acompanha. Se ela se externa, o faz sem eu perceber, como parte da minha maneira de trabalhar.

Para visualizar a matéria completa, acesse: http://veja.abril.com.br/blog/meus-livros/entrevista/se-eu-ficasse-rico-parava-de-escrever-e-so-lia-diz-o-baiano-joao-ubaldo-ribeiro/

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Rubem Alves

Rubem Alves

Setembro de 1933 – Julho 2014

Rubem Alves foi psicanalista, educador, teólogo e escritor brasileiro. Ele se dedicou a escrita de livros educacionais e uma série de livros infantis. Foi uma pessoa que deixou sua marca em muitas outras pessoas.

Eu tive o prazer em conhecê-lo e notar o brilho em seu olhar quando ele estava rodeado de crianças. Pude perceber que ele se divertia ao vê-las brincando e se aproximava aos poucos para participar das brincadeiras.

Desta forma, escolhi uma de suas frases para registrar essa homenagem.

Abraços,

Marina Olivetti

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10 Spanish Words That Have No English Translation

Olá,

Quando falamos em tradução, logo as pessoas pensam que todas as palavras podem ser traduzidas e que sempre há um equivalente. A dificuldade da nossa área é muitas vezes encontrada na falta da tradução ‘perfeita’, aquela que expressa exatamente o que o original quer dizer, com a mesma intensidade e transmite o mesmo ‘feeling’. Mas há casos ainda que não temos nenhum equivalente em outra língua, são palavras que não são traduzidas, pois não existe tal significado para determinada cultura.

Abaixo disponibilizamos um artigo muito bacana escrito por Ana Maria Benedetti, abordando o caso de 10 palavras do espanhol que não tem tradução para o inglês.

I hope you enjoy!!

10 Spanish Words That Have No English Translation

The Huffington Post  | By Ana Maria Benedetti

Ever get that annoying feeling that you can’t find the exact word to describe something? You may not be thinking in the right language. Here are 10 very specific words in Spanish that don’t quite have an English counterpart.

1. Sobremesa

That moment after eating a meal when the food is gone but the conversation is still flowing at the table.

Llegué tarde porque la sobremesa del almuerzo se alargó. Rough translation: I was late because the time spent talking after eating went long.

2. Estrenar

To wear or use something for the first time.

¿Te gustan mis zapatos nuevos? Me los estoy estrenando. Rough translation: Do you like my new shoes? I’m wearing them for the first time.

3. Pena Ajena/Verguenza Ajena

To be ashamed or embarrassed on behalf of someone else, even if they don’t share the feeling.

Me dio pena ajena cuando le botó todo el vino encima a su suegra. Rough translation: I was really embarrassed for her when she spilled wine on her mother-in-law.

4. Antier/Anteayer

A one-word way of saying the day before yesterday. A shorter version of “antes de ayer.”

Ella llegó de viaje antier. Rough translation: She got back from her trip the day before yesterday.

5. Desvelado

Unable to sleep or to be sleep deprived.

Estuve desvelado porque el perro no paró de ladrar toda la noche. Rough translation: I didn’t get any sleep last night because the dog wouldn’t stop barking.

6. Tuerto

A man with only one eye.

El pirata es tuerto. Rough translation: The pirate only has one eye.

7. Friolento/Friolero

Someone who is very sensitive to cold.

Él es muy friolento y siempre pide que apaguen el ventilador. Since the cold affects him so much, he always asks them to turn off the fan

8. Te quiero

A way to tell someone you care about them. Particularly when romance is involved, more meaningful than an “I like you” but less meaningful than an “I love you.” May be used as “I love you” in non-romantic relationships.

Te quiero. Rough translation: I really care for you but don’t quite love you.

9. Merendar

To have a snack or to go out for an afternoon snack.

Invita a merendar a tus amigas la casa esta tarde. Rough translation: Invite your friends over to the house for an afternoon snack.

10. Tutear

To treat someone informally by addressing them as “tú” instead of the more formal “usted.”

No vayas a tutear a tu suegra cuando la conozcas. Rough translation: Don’t treat your mother-in-law informally when you meet her.

Source:

http://www.huffingtonpost.com/2014/05/27/spanish-words-no-translation_n_5399000.html

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Why Bilinguals Are Smarter

Bilinguismo é um assunto que está sendo cada vez mais explorado. Hoje em dia temos algumas escolas oferecendo este tipo de educação e os pais ficam em dúvida sobre o que será melhor para o filho.

Selecionamos um artigo do THE NEW YORK TIMES que diz que crianças bilingues são mais inteligentes.

Confira!

Why Bilinguals Are Smarter

By YUDHIJIT BHATTACHARJEE

Published: March 17, 2012

SPEAKING two languages rather than just one has obvious practical benefits in an increasingly globalized world. But in recent years, scientists have begun to show that the advantages of bilingualism are even more fundamental than being able to converse with a wider range of people. Being bilingual, it turns out, makes you smarter. It can have a profound effect on your brain, improving cognitive skills not related to language and even shielding against dementia in old age.

This view of bilingualism is remarkably different from the understanding of bilingualism through much of the 20th century. Researchers, educators and policy makers long considered a second language to be an interference, cognitively speaking, that hindered a child’s academic and intellectual development.

They were not wrong about the interference: there is ample evidence that in a bilingual’s brain both language systems are active even when he is using only one language, thus creating situations in which one system obstructs the other. But this interference, researchers are finding out, isn’t so much a handicap as a blessing in disguise. It forces the brain to resolve internal conflict, giving the mind a workout that strengthens its cognitive muscles.

Bilinguals, for instance, seem to be more adept than monolinguals at solving certain kinds of mental puzzles. In a 2004 study by the psychologists Ellen Bialystok and Michelle Martin-Rhee, bilingual and monolingual preschoolers were asked to sort blue circles and red squares presented on a computer screen into two digital bins — one marked with a blue square and the other marked with a red circle.

In the first task, the children had to sort the shapes by color, placing blue circles in the bin marked with the blue square and red squares in the bin marked with the red circle. Both groups did this with comparable ease. Next, the children were asked to sort by shape, which was more challenging because it required placing the images in a bin marked with a conflicting color. The bilinguals were quicker at performing this task.

The collective evidence from a number of such studies suggests that the bilingual experience improves the brain’s so-called executive function — a command system that directs the attention processes that we use for planning, solving problems and performing various other mentally demanding tasks. These processes include ignoring distractions to stay focused, switching attention willfully from one thing to another and holding information in mind — like remembering a sequence of directions while driving.

Why does the tussle between two simultaneously active language systems improve these aspects of cognition? Until recently, researchers thought the bilingual advantage stemmed primarily from an ability for inhibition that was honed by the exercise of suppressing one language system: this suppression, it was thought, would help train the bilingual mind to ignore distractions in other contexts. But that explanation increasingly appears to be inadequate, since studies have shown that bilinguals perform better than monolinguals even at tasks that do not require inhibition, like threading a line through an ascending series of numbers scattered randomly on a page.

The key difference between bilinguals and monolinguals may be more basic: a heightened ability to monitor the environment. “Bilinguals have to switch languages quite often — you may talk to your father in one language and to your mother in another language,” says Albert Costa, a researcher at the University of Pompeu Fabra in Spain. “It requires keeping track of changes around you in the same way that we monitor our surroundings when driving.” In a study comparing German-Italian bilinguals with Italian monolinguals on monitoring tasks, Mr. Costa and his colleagues found that the bilingual subjects not only performed better, but they also did so with less activity in parts of the brain involved in monitoring, indicating that they were more efficient at it.

The bilingual experience appears to influence the brain from infancy to old age (and there is reason to believe that it may also apply to those who learn a second language later in life).

In a 2009 study led by Agnes Kovacs of the International School for Advanced Studies in Trieste, Italy, 7-month-old babies exposed to two languages from birth were compared with peers raised with one language. In an initial set of trials, the infants were presented with an audio cue and then shown a puppet on one side of a screen. Both infant groups learned to look at that side of the screen in anticipation of the puppet. But in a later set of trials, when the puppet began appearing on the opposite side of the screen, the babies exposed to a bilingual environment quickly learned to switch their anticipatory gaze in the new direction while the other babies did not.

Bilingualism’s effects also extend into the twilight years. In a recent study of 44 elderly Spanish-English bilinguals, scientists led by the neuropsychologist Tamar Gollan of the University of California, San Diego, found that individuals with a higher degree of bilingualism — measured through a comparative evaluation of proficiency in each language — were more resistant than others to the onset of dementia and other symptoms of Alzheimer’s disease: the higher the degree of bilingualism, the later the age of onset.

Nobody ever doubted the power of language. But who would have imagined that the words we hear and the sentences we speak might be leaving such a deep imprint?

Yudhijit Bhattacharjee is a staff writer at Science.

This article has been revised to reflect the following correction:

Correction: March 25, 2012

The Gray Matter column on bilingualism last Sunday misspelled the name of a university in Spain. It is Pompeu Fabra, not Pompea Fabra.

FONTE: THE NEW YORK TIMES http://www.nytimes.com/2012/03/18/opinion/sunday/the-benefits-of-bilingualism.html?_r=1&

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Entrevista com Sabrina Martinez

Olá Pessoal,

Separamos hoje uma entrevista muito legal feita pela revista “In-Traduções revista do programa de pós-graduação em estudos da tradução da UFSC (ISSN 2176-7904)” por Rafael Matielo e Thaís Collet, com Sabrina Martinez, tradutora para Legendas.

Quem gosta do assunto e tem interesse em saber mais, a Sabrina fala de seu trabalho na empresa Gemini Media, alguns softwares usados e ainda dá dicas para quem quer entrar no mercado de legendagem.

Enjoy!!

Entrevista com Sabrina Martinez

Rafael Matielo (UFSC-PGI) e Thaís Collet (UFSC-PGET)

rafaelmatielo@yahoo.com.br

thais_collet@hotmail.com

Apresentação

Sabrina Martinez é tradutora para legendas, com grande experiência na área de legendagem. Em sua formação acadêmica, realizou primeiramente bacharelado em Comunicação Social – Jornalismo (1992) e logo migrou para a área da tradução: em 1994 realizou um curso de extensão em Formação de Tradutores (720 horas), é especialista em Tradução (2002) e mestre em Estudos da Linguagem (2007), todos pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC – Rio).

Em sua dissertação de mestrado escreveu sobre a “Tradução para legendas: uma proposta para a formação de profissionais”, para a conclusão da especialização escreveu o trabalho intitulado “Monteiro Lobato: tradutor ou coautor?”. Também possui um artigo sobre Monteiro Lobato publicado pela revista Tradução em Revista.

Sabrina Martinez trabalha no mercado de legendagem desde 1995. Além de traduzir para legendas, atua na formação de tradutores, dando aulas de tradução para legendas em cursos livres e de graduação. Atualmente é diretora de Tradução Audiovisual da empresa Gemini Media.

In-Traduções (IT): Como começou seu interesse pela tradução para legendas? Sabrina Martinez (SM): Foi durante a faculdade de Comunicação Social. Eu estagiava no Jornal da PUC e fui cobrir uma palestra da Monika Pecegueiro do Amaral.1 Ela falava com tanto entusiasmo da legendagem que me contagiou. Percebi então que era aquilo que eu queria fazer, e não ser jornalista.

(IT): O que você considera mais desafiador em relação à tradução para legendas?

(SM): Lidar com as limitações de tempo e espaço e o fato de o espectador ter acesso ao original e à tradução simultaneamente. Como as limitações exigem uma redução – às vezes radical – do original, os espectadores leigos muitas vezes se irritam e julgam a tradução errada.

(IT): Como você lida com as críticas feitas às legendas, principalmente aquelas vindas de um público que muitas vezes não conhece as tecnicalidades envolvidas no processo?

(SM): Quem trabalha com legendas está acostumado às críticas. Sempre que possível tento argumentar e educar aqueles que criticam.

(IT): No caso de programas de uma área especializada, sejam eles documentários ou programas de ficção (como os inúmeros seriados que utilizam terminologia específica de uma área profissional) o tradutor é especializado? Tem auxílio de profissionais da área? Utiliza dicionários técnicos? O tradutor organiza seu próprio glossário?

(SM): Em minha opinião, os tradutores de programas de temática específica devem ser especialistas em legendagem, não na especialidade do programa. Eu traduzo, por exemplo, o seriado “House” e não sou médica. Modestamente, não acho que um médico traduziria melhor, nem mais rápido. O mais importante na legendagem é a tradução, é saber como lidar com as dificuldades que a modalidade impõe, é ter um texto bom, claro, conciso. É claro que a precisão vocabular também é vital para o bom resultado do trabalho e, para atingir isso, o tradutor recorre a pesquisas, glossários, dicionários e consulta profissionais da área.

(IT) Na tradução dos seriados, um único tradutor fica responsável ou vários trabalham durante uma temporada?

(SM) O ideal é que o mesmo tradutor fique responsável por traduzir uma série inteira, ou pelo menos uma temporada inteira. Se não for possível, devido aos prazos e/ou outros compromissos assumidos pelo tradutor, na Gemini nós escalamos os revisores por série. Ou seja, um único revisor fica responsável por revisar todas as traduções de um mesmo seriado.

(IT): Geralmente, qual o prazo que o profissional tem para entregar a tradução de um episódio?

(SM): Depende do tempo de duração do episódio, da disponibilidade do tradutor e da rapidez dele. Uma boa média de produção é de meia hora por dia.

(IT): Alguns autores como Gottlieb (1998) e Georgakopoulou (2009) tratam da tradução feita a partir de legendas em inglês já marcadas (pivot subtitles ou Genesis file), para baratear as produções e também acelerar o processo. Essa técnica é utilizada no Brasil? A empresa Gemini Media a utiliza?

(SM): Esse recurso é usado para simplificar e baratear a produção de DVDs. Se um DVD é lançado com legendas em 04 línguas, por exemplo, as legendas em todas as 04 línguas devem ser sincronizadas para que, se o telespectador quiser mudar de uma língua para outra, ele não perca conteúdo. Geralmente as pivot subtitles são marcadas em inglês e enviadas para os tradutores das outras línguas. Além disso, esse recurso também pode ser usado para que tradutores que têm dificuldade de assimilar a parte técnica da legendagem (a marcação de legendas, o manuseio de programas de legendagem) possam trabalhar com um arquivo pré-timeado, ou seja, com as legendas já marcadas para ele. A Gemini usa esse recurso, sim, porém, em escala muito reduzida.

(IT) Legendador ou legendista? Legendação ou legendagem? Em inglês temos um termo único: subtiling e subtitler. No entanto, em português, Alvarenga (1998, p. 216 apud ARAÚJO, 2006, p. 3) usa “legendista” para o profissional que faz a tradução e “legendador” para o profissional que grava as legendas; “legendação” é usado para a tradução e “legendagem” para todo o processo, incluindo a marcação, revisão e gravação.

(SM) Bom, vamos lá. A Lina (Lina Alvarenga) defende que se use o termo “legendista” para o tradutor e “legendador” para o técnico, como você mesma explicou. O objetivo é diferenciar as duas atividades e também valorizar o trabalho do tradutor. Essa terminologia tem sido usada em trabalhos acadêmicos, mas no mercado o termo “legendista” não pegou. Aliás, nem “legendador”. Chama-se o profissional simplesmente de “tradutor”. “Legendação” eu nunca ouvi, a não ser nos trabalhos acadêmicos de Vera (Vera Lúcia Santiago Araújo) e Lina (Lina Alvarenga). O processo técnico de gravação das legendas na fita ou de exibição das legendas é chamado de “legendagem”.

(IT) Em sua dissertação de 2007, você comentou que o sistema de marcação por um timeador era o mais comum no mercado de São Paulo. Qual é a realidade atual no Brasil? Com o surgimento de novos softwares já é possível o tradutor fazer todo o processo?

(SM) Quanto ao processo de marcação, pelas minhas pesquisas de 2007, em SP o esquema mais comum naquela época era uma pessoa (o tradutor) ficar responsável pela tradução e outra (o marcador), pela marcação, ou timing, das legendas. Seria interessante pesquisar o que acontece hoje em dia. No Rio de Janeiro ainda é mais comum o próprio tradutor fazer a marcação das legendas também. Note que sempre foi possível o tradutor realizar todo o processo. Não foi o fato de recentemente terem surgido softwares mais avançados que permitiu isso. Em minha opinião, o ideal é que o tradutor domine todo o processo de tradução para legendagem.

(IT) Quais os softwares utilizados atualmente pelos profissionais da área?

(SM) Os softwares mais utilizados hoje em dia são: Subtitle Workshop, Horse, SoftNI, Transtation/Subt-it.

(TC): Você tem mestrado em Tradução. Você acredita que a formação acadêmica (graduação, especialização, mestrado, etc.) pode ser benéfica para aqueles que trabalham com legendagem? Seria ela indispensável?

(SM): Dou aulas de legendagem em nível de graduação e em cursos livres e posso afirmar que a formação é muito benéfica para quem deseja seguir a carreira de tradutor de legendas. Além disso, o estudo de legendagem tende a acelerar a inserção do profissional no mercado. Mas não acho que a formação acadêmica seja indispensável. Há ótimos tradutores de legendas que são formados em Direito, Comunicação, Cinema, Artes Plásticas…

(TC): Quais conselhos e recomendações você daria às pessoas interessadas em ingressar nesse mercado de trabalho?

(SM): Como eu disse acima, o estudo tende a acelerar a inserção no mercado. Portanto, minha recomendação é que os interessados em legendagem procurem se aperfeiçoar na modalidade através de cursos.

Referências

ARAÚJO, Vera Lúcia. Santiago. O processo de legendagem no Brasil. Revista do GELNE, Fortaleza, v. 1/2, n. 1, p. 156-159, 2006.

GEORGAKOPOULOU, Panayota. Subtitling for the DVD industry. In: DÍAZ CINTAS, Jorge; ANDERMAN, Gunilla (Ed). Audiovisual translation. Language transfer on screen. Basingstoke: Palgrave Macmillan, 2009, 256 p.

GOTTLIEB, Henrik. Subtitling. In. BAKER, Mona (ed). Routledge encyclopedia of translation studies. London, Routledge, 1998. p. 244-248.

MARTINEZ, Sabrina. Monteiro Lobato: tradutor ou co-autor? Trabalho de conclusão de curso de especialização. RJ: Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, 2002.

MARTINEZ, Sabrina. Tradução para legendas: uma proposta para a formação de profissionais. Dissertação de mestrado. RJ: Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, 2007.

MARTINEZ, Sabrina. Monteiro Lobato: tradutor ou adaptador? Tradução em Revista (Online), v. 4, 2007ª, p. 1-17.

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Monika Pecegueiro do Amaral tem anos de experiência em tradução de filmes para o cinema. Bacharel em Letras/Tradução, pela PUC-Rio, tem mestrado em Literatura Luso-Brasileira pela Universidade da Califórnia, Santa Bárbara/USA, é professora de Tradução de Cinema da Pós-Graduação Lato Sensu em Tradução da PUC-Rio, membro do SINTRA e sócia da ABRATES.

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