Dia da Poesia

Para o dia de hoje, selecionamos uma poesia do PAULO LEMINSKI que além de poeta também foi tradutor!

DOR ELEGANTE

PAULO LEMINSKI

Um homem com uma dor

É muito mais elegante

Caminha assim de lado

Com se chegando atrasado

Chegasse mais adiante

Carrega o peso da dor

Como se portasse medalhas

Uma coroa, um milhão de dólares

Ou coisa que os valha

Ópios, édens, analgésicos

Não me toquem nessa dor

Ela é tudo o que me sobra

Sofrer vai ser a minha última obra

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Café com Tradução

Segunda edição do Café com Tradução

Vem aí a segunda edição do Café com Tradução!!

O segundo Café com Tradução será domingo, dia 6 de abril de 2014, no hotel Quality Jardins, mesmo local da edição anterior.

Desta vez, faremos palestras voltadas para o público iniciante e estudantes, com introdução a assuntos como CAT tools, vida como freelancer, mercado de tradução, interpretação, gerenciamento de tempo, entre outros.

Veja o programa e mais informações em: http://cafecomtraducao.wordpress.com/

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Cuerdas – um vídeo muito emocionate

Preparamos para hoje um post super especial! Um vídeo que todos deveriam assistir!!
É sobre um curta que ganhou o Prémio Goya 2014, na categoria de Melhor Curta Metragem de Animação espanhol.
O filme conta a história de uma menina doce que vive num orfanato, e que criou uma ligação muito especial com um novo colega de classe que sofre de paralisia cerebral. É também uma obra que fala de valores e sonhos, cativando o espectador desde o primeiro ao último minuto.

http://portugalglorioso.blogspot.com.br/2014/02/cordas-o-melhor-filme-de-animacao.html

O curta foi dirigido por Pedro Sólis. No link abaixo, Pedro conta sobre a sua inspiração com a história do seu filho Nicolás.

http://www.youtube.com/watch?v=jI4Ap5mD3oo

É emocionante do início ao fim! Super dica para assistir com os seus filhos, sobrinhos e netos no final de semana!

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Brene Brown: The power of vulnerability

Pessoal,

Alguém já viu esse vídeo?

https://www.youtube.com/watch?v=iCvmsMzlF7o

Brene Brown fala na parte final do vídeo sobre como os pais educam os filhos e como podemos tentar nos esforçar para ser diferente, criar um filho para o mundo, para a vida, para os outros. Vale a pena conferir!

Segue o trecho:

“And we perfect, most dangerously, our children.

Let me tell you what we think about children.

They’re hardwired for struggle when they get here.

And when you hold those perfect little babies in your hand,

our job is not to say, “Look at her, she’s perfect.

My job is just to keep her perfect –

make sure she makes the tennis team by fifth grade and Yale by seventh grade.”

That’s not our job.

Our job is to look and say,

“You know what? You’re imperfect, and you’re wired for struggle,

but you are worthy of love and belonging.”

That’s our job.

Show me a generation of kids raised like that,

and we’ll end the problems I think that we see today.

We pretend that what we do doesn’t have an effect on people.”

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The Difference Between “Un-” and “Dis-”

 

The prefix un- has been in the language longer than dis-.

The Old English prefix on- (now spelled un-) was added to verbs to indicated a reversal of the action:

wind/unwind
bind/unbind
fold/unfold
do/undo

This prefix has remained alive, giving us such verb opposites as:

fasten/unfasten
buckle/unbuckle
cover/uncover
wrap/unwrap

Old English also had the prefix of negation un- that was added to adjectives, such as unborn and unburied. We continue to form negative adjectives in this way:

unhappy
unknown
unwanted
unavailable
unconventional
uncool
unputdownable

Dis- came into English during the Middle English period, along with many Latin and French words. The prefix dis- is related to bis, (two), and can be used in the sense of separation:

disjoin
disable

In the course of centuries, distinctions between un- and dis- have blurred. Sometimes the prefixes are interchangeable. Sometimes not.

Sometimes a perceived difference may exist only in the mind of the individual English speaker.

Many speakers distinguish between disorganized and unorganized.

Disorganized applies to the sort of person who stuffs receipts into the sock drawer and can never find the car keys. Unorganized applies to things which have not yet been arranged in an organized manner. By this reasoning, a person would be disorganized, but an office would be unorganized.

At one time, unease and disease (first syllable stressed) could be used interchangeably with the meaning “state of anxiety.” Now disease (second syllable stressed) has taken on the meaning of “illness.”

Angry arguments are waged over the differentiated meanings of uninterest and disinterest. The argument is that uninterested should be used with the sense of “indifferent, lacking in interest, while disinterested should be used only when the intended meaning is “impartial.” Some argue against the distinction on historical grounds, but the perceived difference in modern usage is a useful one.

When it comes to language, those who value logic above all else are just asking for elevated blood pressure.

For example, the noun discontent is matched with the adjective discontented, but the adjective that corresponds to the noun discomfort is uncomfortable.

About all one can safely say about the use of the prefixes un- and dis- is that their correct use is often a matter of idiom.

The best way to master them is to read, listen, and look up questionable forms in a trustworthy dictionary.

 

Source: http://www.dailywritingtips.com/the-difference-between-un-and-dis/

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Lei que obriga tradução em libras em eventos de MT deve valer em 2014

Com a conscientização e inclusão social, o intérprete de libras ganha maior reconhecimento e oportunidade no mercado de trabalho. A aprovação da lei que obrigará a interpretação para língua de sinais em todos os eventos do Governo de Mato Grosso certamente será uma porta aberta para aprovação em outros estados brasileiros, o que, por consequência, aumentará ainda mais a busca por intérpretes de libras, profissionais escassos se comparado à demanda que está por vir.

                                                                                                            Karina A. Casagrande

 Lei que obriga tradução em libras em eventos de MT deve valer em 2014

Eventos e órgãos oficiais deverão contar com a presença de intérprete. Veto do governo do estado foi derrubado pela Assembleia Legislativa.

Deve entrar em vigor em 2014 a lei que garante a presença de um intérprete da Língua Brasileira de Sinais (libras) em eventos oficiais do Governo de Mato Grosso, da Assembleia Legislativa e em propagandas oficiais. Além disso, um intérprete também deverá ficar disponível para acompanhar surdos em órgãos do governo em Cuiabá, mas a presença deles deve ser solicitada com antecedência.

No último dia 12, a Assembleia Legislativa derrubou o veto posto ao projeto de nº 145/11 e agora a lei aguarda a publicação no Diário Oficial de Mato Grosso para entrar em vigor. A presidente da Associação dos Surdos de Cuiabá, Darlene Cristina da Silva, declarou que a iniciativa é importante, pois a falta de intérpretes prejudica o acesso dos deficientes auditivos aos órgãos públicos.

 “Realmente é uma obrigação ter intérprete nos órgãos públicos e nesses eventos. A gente precisa disso para o surdo ver e ter maiores informações. Porque, por exemplo, em uma palestra o surdo fica excluído, sem ter um intérprete ele não vai ter meio de informações, não vai ter nada, ele simplesmente vai ficar olhando”, declarou. 

Segundo o vice-presidente do Sindicato dos Tradutores de Libras Mário Roney, o único empecilho  para a execução da lei é a falta de profissionais na área.

“Hoje nós temos um número reduzido de intérpretes, nós temos uma quantia que não atende ao mercado. Temos escolas que precisam de intérpretes, temos empresas que precisam de intérpretes e de surdos. Por falta de formação e de um órgão, que capacite e qualifique o profissional tradutor, intérprete é um número reduzido. Nós temos um órgão formador de intérpretes, mas ele não consegue atender a demanda”, explicou Mário Roney. O sindicato pretende abrir um curso para formação de profissionais em 2014.

Segundo o Censo Demográfico 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mais de 127 mil pessoas em Mato Grosso têm algum nível de deficiência auditiva. Dessas, 4.391não conseguem ouvir de modo algum.

Fonte: http://g1.globo.com/mato-grosso/noticia/2013/12/lei-que-obriga-traducao-em-libras-em-eventos-de-mt-deve-valer-em-2014.html

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Programa Formativo para Tradutores Literários

PROGRAMA FORMATIVO PARA TRADUTORES LITERÁRIOS

 

O Centro de Estudos de Tradução Literária da Casa Guilherme de Almeida completa, em abril de 2014, a primeira realização de seu Programa Formativo de Tradutores Literários – um conjunto de cursos e atividades sobre o fazer tradutório que visa a colaborar com a preparação de profissionais da área –, iniciado em agosto de 2013. As inscrições para o novo ciclo do Programa, cuja turma deverá cursá-lo entre agosto de 2014 e abril de 2015, estarão abertas a partir de 5 de maio de 2014.

As inscrições e todas as atividades são gratuitas. Veja instruções para inscrever-se no item final desta página.

O Programa Formativo para Tradutores Literários permite que o inscrito defina o seu próprio currículo com base na oferta de cursos, oficinas e eventos especiais e temáticos oferecidos pela Casa.

As modalidades de eventos a comporem o currículo são as seguintes:

CURSO DE TEORIA DA TRADUÇÃO (terças-feiras, em frequência semanal)Esta atividade contínua apresentará, em módulos subsequentes, diferentes abordagens teóricas sobre a tradução literária, revelando a diversidade de concepções sobre a tarefa do tradutor e de propostas para a tradução de uma obra de um idioma para outro. No segundo semestre de 2013, a condução do curso, que contará com eventuais ministrantes convidados, estará a cargo de Maria Teresa Quirino.

CURSO DE HISTÓRIA DA TRADUÇÃO LITERÁRIA (quintas-feiras, em frequência semanal)

Composto de diversos módulos ao longo do ano, este curso contínuo se propõe a dar um panorama diacrônico da tradução literária, abordando momentos históricos de relevância para a reflexão tradutória. No segundo semestre de 2013, a condução do curso, que contará com eventuais ministrantes convidados, estará a cargo de Érico Nogueira.

PALESTRAS DA SÉRIE “CRÍTICA COMO TRADUÇÃO” (quartas-feiras, em frequência mensal)

A abordagem da crítica de literatura e de arte como uma forma de tradução norteia essa série de palestras mensais com diferentes ministrantes. No segundo semestre de 2013, a condução dos encontros, que poderá contar com orientadores convidados, estará a cargo de Donny Correia.

PALESTRAS OU CURSOS BREVES: “O TRADUTOR POR ELE MESMO” (sextas-feiras, em frequência irregular)

Tradutores com uma trajetória consistente e dedicação contínua à tradução literária apresentam sua obra, discutindo impasses textuais, opções tradutórias e procedimentos de escrita adotados em sua prática de trabalho.

PALESTRAS OU CURSOS BREVES SOBRE TEMAS DE LITERATURA, TRADUÇÃO LITERÁRIA E INTERSEMIÓTICA (às quartas ou sextas-feiras, em frequência irregular)

Aspectos teóricos e práticos da criação e da recriação literária, leitura e cotejo de traduções, perfis de escritores e tradutores específicos, abordagem de obras literárias em diferentes traduções e adaptações para outras linguagens são alguns dos enfoques das atividades a serem oferecidas nestes encontros ocasionais. No programa de 2014, será incluído, no período entre agosto e dezembro, às quartas-feiras, o ciclo de estudos “TRADUÇÕES DA BÍBLIA”, com diversos ministrantes convidados, visando ao estabelecimento de relações entre teorias e práticas da tradução.

OFICINAS DE TRADUÇÃO DE POESIA (sábados, em frequência quinzenal)

Os inscritos serão convidados a elaborar a tradução de poemas sob orientação do ministrante, também responsável pela definição de parâmetros teóricos e práticos que servirão de base para o trabalho dos participantes. É prevista a entrega de uma tradução no final do programa semestral, realizada individual ou coletivamente, conforme proposição do orientador.

OFICINAS DE TRADUÇÃO DE PROSA (sábados, em frequência quinzenal) 

Os inscritos se propõem a elaborar a tradução de textos literários em prosa sob orientação da ministrante, também responsável por definir parâmetros teóricos e práticos como base para o trabalho dos alunos. O trabalho final pode ser individual ou coletivo. No segundo semestre de 2013, a condução da Oficina estará a cargo de Alzira Allegro.

APRESENTAÇÃO: “LIVRO FALADO” (quartas-feiras, em frequência irregular)

O autor de uma tradução recém-publicada ou a ser publicada apresenta, numa entrevista pública, os desafios impostos pela obra original e seu processo de trabalho. O evento também visa a apresentar livros de literatura estrangeira recém-lançados em tradução, bem como a delinear o perfil do tradutor convidado.

TRANSFUSÃO – ENCONTRO DE TRADUTORES DA CASA GUILHERME DE ALMEIDA (evento anual)

O evento geralmente realizado no mês de setembro reúne escritores, tradutores e pesquisadores de literatura, brasileiros e estrangeiros, em uma reflexão conjunta sobre a atividade da tradução literária, com destaques temáticos que variam de edição para edição.

PRÉ-REQUISITOS PARA INSCRIÇÃO NO PROGRAMA FORMATIVO PARA TRADUTORES LITERÁRIOS

Compreensão de textos em uma língua estrangeira, em nível suficiente para a prática da tradução a partir do idioma escolhido.

PROCESSO DE SELEÇÃO

Todos os candidatos que cumprirem os requisitos acima mencionados poderão se inscrever no Programa Formativo para Tradutores Literários.

COMPOSIÇÃO DA GRADE CURRICULAR

Os inscritos deverão cumprir:

- Um mínimo de 156 horas-aula nos cursos de Teoria da Tradução e de História da Tradução (compostos de três módulos cada um), na Oficina de Tradução de Prosa e na Oficina de Tradução de Poesia.

- Um mínimo de 32 horas em palestras ou eventos pontuais sobre tradução literária (além disso, exige-se a participação no evento anual TRANSFUSÃO.)

- Estágio de 40 horas em atividades de pesquisa do Centro de Estudos de Tradução Literária da Casa Guilherme de Almeida.

- Entrega de dois trabalhos tradutórios, um no contexto da Oficina de Tradução de Poesia e outro no contexto da Oficina de Tradução de Prosa, a serem definidos junto aos ministrantes das oficinas, acompanhados de uma breve apresentação da concepção norteadora das traduções realizadas e dos procedimentos utilizados para sua elaboração.
Para quem cumprir os quesitos apresentados, será emitido um Certificado de Conclusão do Programa. Os alunos podem completar os números mínimos das diversas atividades em mais de um ciclo do Programa Formativo, ou seja, quem não puder frequentar todas as atividades no ciclo de 2014-2015, poderá completar as horas cursadas no ciclo seguinte, de agosto de 2015 a abril de 2016.

A frequência mínima para reconhecimento dos créditos do curso frequentado é de 75%.

INSCRIÇÕES

As inscrições poderão ser feitas de 5 de maio a 27 de junho de 2014. O formulário preenchido, acompanhado do currículo do candidato, poderá ser entregue pessoalmente na Casa Guilherme de Almeida (Rua Macapá, 187 – CEP 01251-080 – São Paulo / SP), ou enviado por correio, para o mesmo endereço, ou, ainda, via e-mail, pelo endereço eletrônico casaguilhermedealmeida@gmail.com.

http://www.casaguilhermedealmeida.org.br/noticias/ver-noticia.php?id=9

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Projetos de tradução do Haroldo de Campos – Processo de Seleção

Para o post de hoje preparamos uma super dica para quem é tradutor ou ainda está cursando tradução, fã de literatura, de tradução literária e de Haroldo de Campos!

CHAMAMENTO PÚBLICO POIESIS Nº1/2014

OBJETO: Processo de Seleção para o Programa da Casa das Rosas – Centro de Referência Haroldo de Campos para Incentivo à Pesquisa e Tradução da Obra de Haroldo de Campos

A POIESIS – Instituto de Apoio à Cultura, à Língua e à Literatura, organização social de cultura, com sede na Rua Lubavitch, nº64, Bom Retiro, São Paulo – SP, CEP 01123-010, inscrita no CNPJ/MF sob o nº 00.894.851/0001-25, torna público que abriu processo para selecionar pesquisador ou tradutor, vinculado à universidade ou autônomo, objetivando preencher 2 (duas) vagas do Programa da Casa das Rosas – Centro de Referência Haroldo de Campos para Incentivo à Pesquisa e Tradução da Obra de Haroldo de Campos, nos termos e condições estabelecidas no presente instrumento.

  1. 1.           JUSTIFICATIVA

O poeta, tradutor e ensaísta Haroldo de Campos (São Paulo, 1929-2003), cujo acervo bibliográfico e uma amostra de objetos pessoais e de arte se tornaram patrimônio do Estado de São Paulo em 2004, se destaca no cenário intelectual e literário brasileiro como coinventor da Poesia Concreta; autor de uma obra poética de relevância internacional; introdutor de inúmeros autores da literatura universal no Brasil por meio de suas traduções de diversas línguas; propagador de teóricos contemporâneos nos âmbitos da estética, teoria literária e semiótica; teórico da tradução literária; intelectual com uma contribuição significativa para a reflexão sobre arte, estética e literatura nos meios acadêmicos e na opinião pública; e cultivador do intercâmbio intelectual com artistas e teóricos de todo o mundo.

A obra de Haroldo de Campos, seja no âmbito da poesia, da tradução ou da teoria e crítica literárias, é dotada de grande universalidade e de amplo alcance internacional, considerando-se as diferentes línguas e literaturas a que o poeta dedicou seus estudos e as múltiplas referências histórico-literárias que pontuam seus textos. Todavia, a propagação dessa obra de caráter marcadamente universal requer uma decifração atenta e aprofundada, dada a densidade de informação estética que a caracteriza.

Buscando incentivar pesquisadores e tradutores a se dedicarem a autor de tal relevância para a literatura brasileira contemporânea e para a literatura universal, a Casa das Rosas, por meio do Centro de Referência Haroldo de Campos, lançou o Programa de Incentivo à Pesquisa e Tradução da Obra de Haroldo de Campos, visando ao intercâmbio de informações e de reflexão com propagadores da obra de Haroldo no Brasil e no mundo.

E considerando o grande interesse apresentado por pesquisadores ou tradutores no primeiro processo de seleção, a POIESIS decidiu abrir novas vagas para o Programa da Casa das Rosas – Centro de Referência Haroldo de Campos para Incentivo à Pesquisa e Tradução da Obra de Haroldo de Campos.

  1. 2.           DO OBJETO

2.1.      O presente processo tem por objeto a seleção de projetos de pesquisa sobre a obra poética, tradutória ou crítico teórica de Haroldo de Campos, ou projetos de tradução, ambos já iniciados e vinculados a um cronograma acadêmico ou de publicação editorial, para participar do Programa da Casa das Rosas – Centro de Referência Haroldo de Campos para Incentivo à Pesquisa e Tradução da Obra de Haroldo de Campos.

2.2.      Serão selecionados 2 (dois) projetos de pesquisa e/ou tradução, sendo um para execução no segundo semestre de 2014 e outro para o primeiro semestre de 2015.

  1. 3.           DAS CONDIÇÕES DE PARTICIPAÇÃO

3.1.      Poderão participar desta seleção todas as pessoas físicas, nacionais ou estrangeiras que possuam, na data de abertura da inscrição, projeto já iniciado de pesquisa ou tradução sobre a obra de Haroldo de Campos, vinculado a um cronograma acadêmico ou a um prazo de publicação editorial.

3.1.1.          A exigência de um vínculo acadêmico ou editorial do pesquisador e/ou tradutor visa a garantir que o projeto proposto ao Programa seja, de fato, concluído e/ou publicado.

3.2.      A participação neste processo de seleção pressupõe que o candidato declare que conhece, atende e se submete a todas as cláusulas e condições do presente edital.

3.3.      Os interessados poderão se candidatar para participar do Programa em apenas 1 (um) ou ambos os períodos de execução, a seu critério.

  1. 4.           DAS INSCRIÇÕES

4.1.      Os candidatos ao presente processo de seleção deverão proceder sua inscrição no período de 15 de janeiro de 2014 a 14 de março de 2014, mediante o preenchimento, de forma legível, do Requerimento de Inscrição (Anexo Único), que deverá ser acompanhado dos seguintes documentos e/ou informações:

4.1.1 . Cópias simples do RG ou RE e do CPF do candidato, ou do seu passaporte, no caso de estrangeiro domiciliado no exterior;

4.1.2. Cópia simples de comprovante de endereço;

4.1.3. Descrição da pesquisa em andamento que demonstre a relevância da investigação e a importância de consultar o Acervo Haroldo de Campos para seu desenvolvimento;

4.1.3.1. Para os projetos de tradução, o candidato deverá argumentar a escolha de textos (no caso de uma antologia) e os métodos tradutórios adotados;

4.1.4.      Documentos que comprovem o vínculo acadêmico da pesquisa em questão ou cópia do contrato entre o pesquisador e/ou tradutor e a editora, com a indicação do prazo para a finalização da pesquisa e/ou tradução;

4.1.4.1.        Não havendo indicação do prazo para finalização nos documentos indicados no item 4.1.4, deverá ser apresentada declaração firmada pelo próprio candidato, atestando qual o prazo limite para ultimar a pesquisa e/ou tradução;

4.1.5.           Amostra representativa da pesquisa e/ou tradução em andamento;

4.1.6.          Cronograma de trabalho para período de participação no Programa da Casa das Rosas – Centro de Referência Haroldo de Campos para Incentivo à Pesquisa e Tradução da Obra de Haroldo de Campos, que deverá ser de 30 (trinta) dias, no segundo semestre de 2014 e/ou no primeiro semestre de 2015, dependendo do período para o qual o interessado esteja se candidatando;

4.1.7.          Currículo do pesquisador e/ou tradutor.

4.2.      Todos os documentos e informações previstos nos itens 4.1.3, 4.1.3.1, 4.1.4, 4.1.4.1, 4.1.5, 4.1.6 e 4.1.7 devem ser apresentados em português ou acompanhados de tradução para o vernáculo.

4.3.      O Requerimento de Inscrição, acompanhado dos documentos e/ou informações elencadas no item 4.1, poderão ser entregues pessoalmente, na Casa das Rosas – Centro de Referência Haroldo de Campos, sito à Avenida Paulista, nº37, Bela Vista, São Paulo – SP, CEP 01311-902, de terça a sexta-feira, das 9h às 17h, ou ainda:

  1. por correio, endereçado à Casa das Rosas – Centro de Referência Haroldo de Campos, no endereço supracitado;
  2. via e-mail, pelo endereço eletrônico crhc@casadasrosas.org.br.

4.2.1.           No caso das inscrições por correio ou via e-mail, serão aceitos os Requerimentos de Inscrição, respectivamente postados ou enviados, até o dia 14 de março de 2014.

4.3.      As inscrições serão gratuitas.

4.4.      Poderão ser solicitados ao candidato outros documentos ou informações durante o processo de seleção ou por ocasião da assinatura do contrato.

  1. 5.            DA BOLSA E DAS DESPESAS DE TRANSPORTE E HOSPEDAGEM.

5.1.      O candidato selecionado receberá uma bolsa no valor de R$4.000,00 (quatro mil reais) pelo período de participação no Programa da Casa das Rosas – Centro de Referência Haroldo de Campos para Incentivo à Pesquisa e Tradução da Obra de Haroldo de Campos, limitado a 30 (trinta) dias.

5.2.      Caso o candidato selecionado não seja residente na Região Metropolitana de São Paulo, além da bolsa mensal prevista no item 5.1, poderão ser concedidas:

5.2.1.           Passagens aéreas ou rodoviárias para vinda a São Paulo, no início do Programa, e retorno à cidade de origem, ao término do Programa;

5.2.2.           Hospedagem pelo período de participação no Programa da Casa das Rosas – Centro de Referência Haroldo de Campos para Incentivo à Pesquisa e Tradução da Obra de Haroldo de Campos, limitado a 30 (trinta) dias;

5.3.       Fica a cargo da POIESIS a aquisição das passagens e a contratação da hospedagem.

5.4.      A bolsa será paga em cheque administrativo, até o 3º dia útil após o início efetivo do período de permanência do candidato em São Paulo.

  1. 6.   DAS CONTRAPARTIDAS PELA PARTICIPAÇÃO NO PROGRAMA

6.1. Durante o período de permanência no Programa da Casa das Rosas – Centro de Referência Haroldo de Campos para Incentivo à Pesquisa e Tradução da Obra de Haroldo de Campos, o bolsista deverá se colocar à disposição do Centro de Referência Haroldo de Campos para consultas ligadas à sua pesquisa ou tradução e para outras atividades, como ministrar cursos, dar palestras ou participar de outros tipos de evento dentro do Estado de São Paulo.

6.1.1.           A participação nas atividades supracitadas é obrigatória e não terá remuneração extra.

6.2.      Na última semana de permanência no Programa, o candidato selecionado deverá apresentar ao Centro de Referência Haroldo de Campos um relatório detalhado sobre as atividades desenvolvidas durante o Programa.

6.3.      Após a finalização da pesquisa ou da tradução, o candidato selecionado deverá enviar à Casa das Rosas – Centro de Referência Haroldo de Campos 1 (uma) cópia digital e 3 (três) cópias impressas da obra concluída.

6.4.      Havendo a publicação da pesquisa e/ou da tradução, o candidato selecionado se obriga a incluir menção ao incentivo recebido da Casa das Rosas – Centro de Referência Haroldo de Campos, nos seguintes termos: “A execução da presente obra contou com o auxílio de uma bolsa de pesquisa para consulta ao Acervo Haroldo de Campos, por meio do Programa de Incentivo à Pesquisa e Tradução da Obra de Haroldo de Campos, instituído pela Casa das Rosas – Centro de Referência Haroldo de Campos (São Paulo / Brasil)”.

6.4.1.           A menção supracitada deverá constar das primeiras páginas da publicação, tanto na língua original da obra como em português, acompanhada do logotipo da Secretaria de Estado da Cultura, POIESIS – Instituto de Apoio à Cultura, à Língua e à Literatura e Casa das Rosas – Centro de Referência Haroldo de Campos.

6.5.      O Centro de Referência Haroldo de Campos ficará autorizado a publicar, em seu site e outros canais de divulgação de suas atividades, trechos das obras escritas ou traduzidas com apoio do Programa da Casa das Rosas – Centro de Referência Haroldo de Campos para Incentivo à Pesquisa e Tradução da Obra de Haroldo de Campos.

6.6.      O não cumprimento das contrapartidas fixadas acarretará o desligamento do candidato selecionado do Programa de Incentivo a Pesquisa e Tradução da Obra de Haroldo de Campos, se ainda em curso, sem prejuízo da devolução integral dos valores já pagos a título de bolsa de pesquisa e das despesas indenizadas, ambos devidamente atualizados.

  1. 7.      DO PROCESSO DE SELEÇÃO

7.1.      DA COMISSÃO ESPECIAL

7.1.1.           O processo de seleção será conduzido por uma Comissão Especial constituída por 1 (um) representante da Casa das Rosas – Centro de Referência Haroldo de Campos e por 2 (dois) convidados, estudiosos da obra de Haroldo de Campos, não vinculados a esta Organização Social.

7.1.2.           A Comissão Especial poderá, a qualquer tempo durante o processo de seleção, solicitar documentos e/ou informações complementares dos candidatos, assinalando prazo razoável para cumprimento.

7.2.      DA HABILITAÇÃO DOS PROJETOS.

7.2.1.           Findo o prazo para inscrição, os requerimentos apresentados serão apreciados pela Comissão Especial.

7.2.2.           Serão inabilitados os candidatos que:

7.2.2.1.              Apresentarem Requerimento de Inscrição incompleto e/ou deixarem de apresentar documentos exigidos no item 4.1 deste instrumento;

7.2.2.2.              Não comprovarem o preenchimento das condições de participação previstas no item 3 deste instrumento;

7.2.2.3.              Não apresentarem documentos complementares solicitados pela Comissão Especial, no prazo por ela assinalado.

7.2.3.           Os candidatos que não incorrerem em quaisquer das hipóteses do item 7.2.2 serão declarados habilitados pela Comissão Especial.

7.3.      DA ESCOLHA DO PROJETO DE PESQUISA E/OU TRADUÇÃO.

7.3.1. Os projetos de pesquisa e/ou tradução apresentados pelos candidatos habilitados serão apreciados pela Comissão Especial, que indicará, motivadamente, o projeto escolhido.

7.3.2.           Para a escolha do projeto, a Comissão Especial deverá adotar, entre outros parâmetros relevantes, os seguintes critérios:

7.3.2.1.              Relevância do projeto de pesquisa e/ou de tradução para a compreensão e difusão da obra de Haroldo de Campos no Brasil e no exterior;

7.3.2.2.              Destaque a aspectos pouco investigados da obra de Haroldo de Campos ou a obras ainda não traduzidas na língua em questão;

7.3.2.3.              Currículo do pesquisador e/ou tradutor;

7.3.2.4.               Grau de importância da pesquisa in loco para o projeto;

7.3.2.5.               O estágio de execução da pesquisa ou tradução.

7.3.3.   Não poderá ser selecionado o mesmo candidato para ambos os períodos objeto do presente processo de seleção.

7.4.      DA DECISÃO DO CHAMAMENTO PÚBLICO

7.4.1.           Encerrado o processo de seleção, deverá ser elaborado pela Comissão Especial relatório com indicação dos candidatos selecionados para os períodos objeto do presente processo de seleção.

7.4.2.           O relatório elaborado deverá ser apreciado e, se em termos, o resultado será homologado pelo Diretor da Casa das Rosas, Diretor Administrativo/Financeiro e Diretor Executivo desta Organização Social.

7.4.3.          Inexistindo candidato selecionado, o processo será declarado prejudicado pelo Diretor Executivo desta Organização Social.

  1. 8.           DO CONTRATO

8.1. Homologado o processo de seleção, o candidato selecionado será chamado para, no prazo de até 15 (quinze) dias, firmar o competente instrumento.

8.1.1. O prazo supracitado poderá ser prorrogado, a critério desta Organização Social, por igual ou menor período.

8.2.      Para a assinatura do contrato poderão ser exigidos do candidato selecionado outros documentos além daqueles já apresentados no curso do processo de seleção.

8.3.      O não comparecimento para a assinatura do contrato ou a não apresentação dos documentos requeridos no prazo assinalado serão recebidos como desistência do candidato selecionado à participação no Programa da Casa das Rosas – Centro de Referência Haroldo de Campos para Incentivo à Pesquisa e Tradução da Obra de Haroldo de Campos.

9 – DISPOSIÇÕES FINAIS

9.1. A decisão do processo de seleção será publicada no site desta Organização Social (www.poiesis.org.br), na rubrica “Editais”.

9.1.1. Da decisão que homologar o resultado do processo de seleção caberá pedido de reconsideração, no prazo de 3 (três) dias úteis, contados da disponibilização da decisão no site oficial desta Organização Social.

9.2. Todas as comunicações e solicitações de informação e/ou documentos aos candidatos poderão ser feitas, a critério da Comissão Especial, por mensagem eletrônica ou por meio de correspondência simples.

9.2.1. Caberá ao candidato, durante o processo de seleção, informar a Comissão Especial eventual alteração do endereço eletrônico ou residencial informado por ocasião da inscrição.

9.3.      Os documentos apresentados pelos pesquisadores e/ou tradutores não serão devolvidos, cabendo ao Centro de Referência Haroldo de Campos a decisão de arquivá-los ou não.

9.4.      Eventuais dúvidas poderão ser dirimidas por meio do endereço eletrônico crhc@casadasrosas.org.br.

9.4. Os casos omissos serão resolvidos pela Comissão Especial.

São Paulo, 13 de janeiro de 2014.

Frederico Barbosa

Diretor da Casa das Rosas

ANEXO ÚNICO – REQUERIMENTO DE INSCRIÇÃO

ILMO SR. DIRETOR DA CASA DAS ROSAS – ESPAÇO HAROLDO DE CAMPOS DE POESIA E LITERATURA.


Nome:
                                                                                                                         

Nacionalidade:                                         .

Natural de:                             Data de Nascimento       /        /                  

RG/RN/Passaporte n°                                             Expedido por:               .

CPF n°:                                                                                        

Estado civil:                                              

Endereço:                                       . Número      . Bairro:                

 Complemento:                                                                                     

Cidade:                                                          . Estado:                                  CEP:                                              �
Tel. Residencial: (   )                         Cel. (   )                                      Tel. Contato: (   )                    

E-mail:                                                                                                     ,

 

vem requerer sua inscrição no CHAMAMENTO PÚBLICO POIESIS Nº1/2014, que tem por objeto a seleção para o Programa da Casa das Rosas – Centro de Referência Haroldo de Campos para Incentivo à Pesquisa e Tradução da Obra de Haroldo de Campos, para o(s) seguinte(s) período(s):

 

(   ) segundo semestre de 2014, de :       ./:       ./2014 a :        ./:       ./2014;

 

(    ) primeiro semestre de 2015, de :        ./:       ./2015 a :        ./:       ./2015;

 

(   )  ambos os períodos, de :      ./:      ./2014 a :       ./:       ./2014 e de :       ./:       ./2015 a :        ./:       ./2015.

 

(OBS – Nos termos do item 4.1.6, o período de participação no Programa deverá ser de 30 dias).

 

Seguem anexos os documentos e/ou informações exigidas pelo item 4.1 do edital.

 

Declaro, por fim, que estou ciente e de acordo com todas as cláusulas e condições do edital.

Nestes termos,

P. deferimento.

 

Local e data

 

________________________

Assinatura do candidato(a)

http://www.poiesis.org.br/casadasrosas/

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Vírginia Woolf por Leonardo Fróes

 Leonardo Fróes conta um pouco de sua experiência de traduzir Vírginia Woolf.

 Fróes fala para que o tradutor não entregue ao público leitor da língua alvo apenas fiapos soltos, é preciso que ele de fato faça uma nova mágica, é preciso que ele transforme aquela obra original em um fato novo.

 Fróes cita também que a Vírginia lida hoje não é exatamente aquela que já morreu, é uma imitação de Vírginia feita da maneira mais fiel possível.

Um dos perigos da tradução que Fróes comenta é o fato dela ser simplificada excessivamente perante seu original. Às vezes por pressa, os tradutores resumem o original, e isso pode levar a grandes desentendimentos.

A primeira tradução da terceira obra de Woolf publicada no Brasil se chamava To The Lighthouse (O Farol), no qual a tradução e simplificação de seu titulo fez com que o mesmo ficasse menos expressivo.

A segunda tradução do mesmo livro por uma nova editora passou a se chamar Rumo Ao Farol, a terceira tradução, também por uma nova editora se chamou Passeio Ao Farol.

O titulo foi acertado somente em sua quarta edição da primeira tradução. Passando agora a se chamar Ao Farol. Com isso o titulo teve seu valor expressivo de volta.

Fróes coloca que o tradutor não tem o direito de simplificar, e muito menos tirar algo do titulo do livro.

Um dos livros traduzidos e publicados no Brasil se chama The Voyage Out, que em sua tradução passou a se chamar A Viagem. O “Out” no título do livro em Inglês remete a uma viagem demorada, na época de publicação do livro existiam somente barcos para viajar longas distancias. Portanto, mesmo um título de grande complexidade tradutória como este não pode ser simplificado pelo seu tradutor, pois acaba perdendo-se todo o sentido de uma viagem para fora do país (demorada).O maior problema de um tradutor é o título da obra, muitas vezes o tradutor tem que traduzir o livro inteiro para saber como ficará a tradução de seu título, o qual é a marca do produto.

 Dois tradutores jamais farão uma tradução igual, se um jovem tradutor de 25 anos traduzisse uma mesma obra que outro tradutor mais velho, ambos teriam um tipo de tradução.  Isso se dá ao fato de que o condicionamento cultural de ambos é distinto, o vocabulário de ambos também é distinto e as visões do fator literário certamente também serão distintas.

A tradução é relativa assim como a leitura, onde cada leitor interpreta o texto a sua maneira. O tradutor inevitavelmente fará isso, pois ele tem um compromisso, com a editora que o contratou e sobre tudo com o autor da obra a ser traduzida.

Fróes cita um trecho interessante de um livro “Quando leio um livro simplesmente a fim de entendê-lo, ligo-me apenas nas palavras, mas é preciso que eu me ligue nas frases se quiser traduzi-lo. Cada língua tem o seu modo de se expressar, e se eu traduzir palavra por palavra, disso resultará uma linguagem ridícula”.

Portanto, Fróes diz que é preciso encontrar um jeito brasileiro que corresponda ao jeito americano (por exemplo), “caso de fato o encontre, é encontrando-o que percebo tanto quanto ao meu alcance a delicadeza das duas línguas”.

Então, é necessário que o tradutor conheça o autor da obra com a qual irá trabalhar para então, obter o máximo de informação possível a ponto de entender as escritas do autor.

Resenha: Tertúlia – Virginia Woolf

Texto: Equipe Spell

 Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=9m05Gwchjbk&list=PL3B9D27B4F3A3D599

 

 

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A Tradução da Obscenidade em Romeu e Julieta

Muitas são as dificuldades encontradas pelo tradutor na hora de traduzir. Elizabeth Ramos expõe em sua análise sobre a tradução feita do cânone shakespeariano “Romeu e Julieta” uma comparação que vai além das dificuldades linguísticas/culturais do texto, ela aborda também questões como o tempo.

A TRADUÇÃO DA OBSCENIDADE EM ROMEU E JULIETA

Elizabeth Ramos

No Ato II, cena 2 do texto dramático de Hamlet, o leitor encontra o seguinte diálogo entre Polônio e o Príncipe Hamlet:

 Polônio: [...] O que estais lendo?

Hamlet: Palavras, palavras, palavras.

Volto-me, pois, à resposta do Príncipe dinamarquês ao pai de sua amada Ofélia, para analisar o uso das palavras na construção de imagens obscenas em Romeu e Julieta (circa 1594) de William Shakespeare, peça que, segundo Stanley Wells (Wells, 2010, p.151), começa com sexo sem amor e prossegue com amor sem sexo. Meu interesse concentra-se em observar as soluções encontradas pelos tradutores F. Carlos de Almeida Cunha Medeiros/Oscar Mendes (1969) e Barbara Heliodora (2006), na reconfiguração, em português brasileiro, dos criativos termos de espirituosa conotação sexual sob uma perspectiva transgressora.

 A primeira dificuldade diz respeito ao intervalo de tempo decorrido entre 1597 — quando da primeira impressão gráfica da peça — e os nossos dias. Afinal, os conceitos de obscenidade são extremamente voláteis e variáveis nas diferentes geografias ao longo do tempo, de acordo com os interesses e mecanismos vigentes para seu uso. Nunca houve, de fato, critérios seguros de estabelecimento das fronteiras “entre o lícito, o ilícito e o tolerado” (Maingeneau, 2010, p.14) no universo literário. Vários termos rotulados como pornográficos em uma determinada época e lugar não mais são considerados como tal em outras épocas e lugares. Por outro lado, um termo ou frase que hoje parecem extremamente sutis com referência às imagens obscenas poderia ser facilmente compreendido como cru por uma plateia do século XVI.

 Ademais, a semiologia construída pelo dramaturgo inglês é frequentemente dominada pelo uso de termos específicos — como nomes de frutas, por exemplo — que, não encontrando contraponto na nossa cultura, em geral, acabam impondo dificuldade à interpretação necessária ao processo tradutório da obscenidade.

 As distâncias temporal e espacial impõem, no caso da discussão em pauta, pelo menos mais uma dificuldade à tradução de aspectos da linguagem conotativa sexual: ser direta, no sentido de não acrescentar filtros entre o espectador e a peça, ou o leitor e suas leituras. Cinco séculos depois da primeira encenação de Romeu e Julieta, torna-se difícil identificar até que ponto o léxico usado por William Shakespeare se adéqua ao rótulo de obsceno, dado ao fato de que a linguagem do dramaturgo pode parecer-nos, hoje, extremamente sutil em alguns pontos.

 [...] Diz-se que no início do século XVII ainda vigorava uma certa franqueza. As práticas não procuravam o segredo; as palavras eram ditas sem reticência excessiva e, as coisas, sem demasiado disfarce; tinha-se com o ilícito uma tolerante familiaridade. Eram frouxos os códigos da grosseria, da obscenidade, da decência, se comparados com os do século XIX. Gestos diretos, discursos sem vergonha, transgressões visíveis, anatomias mostradas e facilmente misturadas, crianças astutas vagando, sem incômodo nem escândalo, entre os risos dos adultos: os corpos “pavoneavam”. (Foucault, 2011, p. 9)

 As palavras de Foucault podem ajudar-nos a compreender melhor o uso da linguagem com conteúdo obsceno-sexual em Romeu e Julieta, peça escrita no final do século XVI e, surpreendentemente, uma das mais obscenas na produção dramática shakespeariana, repleta de duplos sentidos e trocadilhos, tendo sido excluída de vários compêndios escolares, palcos e telas de cinema, ao longo do tempo. No entanto, como herdamos a tendência predominante nos séculos XVIII e XIX de suprimir ou negar obscenidade na linguagem shakespeariana, Romeu e Julieta insere-se entre os textos românticos e sentimentais na história da literatura e das artes dramáticas, levando os tradutores, muitas vezes, a ignorar ou desprezar expressões com as quais o dramaturgo constrói as chamadas imagens devassas. Naquela época, os bardólatras argumentavam que o uso de linguagem com conotação explicitamente sexual devia-se ao desejo do dramaturgo de agradar as plateias menos refinadas, justificando, portanto a necessidade de se eliminarem tais construções num texto que se tornara canônico. Anos mais tarde, já no século XX, Sigmund Freud, em O chiste e sua relação com o inconsciente (1969, p.147), corrobora a opinião de que a história obscena estaria vinculada às camadas sociais menos privilegiadas, para intimidar a mulher. Com o passar do tempo, a obscenidade deixa de ser dirigida somente à mulher, passando a ter como alvo as plateias, que se deleitam na condição de avaliadoras da qualidade da transgressão.

 As análises aqui contempladas buscam, em primeiro lugar, identificar a linguagem transgressora e examinar as escolhas dos tradutores, ao se depararem com observações espirituosas, metáforas ou alusões de cunho obsceno no texto dramático de Romeu e Julieta. Interessa-me, em particular, observar se os tradutores optaram por termos mais diretos, por suavizar o léxico conotativo ou por eliminá-lo totalmente.

 A peça tem início com a entrada em cena dos empregados dos Capuletos – Sansão e Gregório – que estabelecem um diálogo rico em imagens obscenas, enquanto passeiam pela praça pública.

 Ambos os tradutores escolheram jogos de palavras bastante criativos, embora a escolha de Barbara Heliodora nos pareça mais contemporânea, quando opta pela oposição dos itens lexicais “cabeça” e “cabaço”. A observação reflete, naturalmente, o hiato de tempo decorrido entre as duas traduções, com implicações significativas em termos do uso da linguagem: a de Cunha Medeiros foi publicada em 1969, e a de Barbara Heliodora, em 1991. É relevante observar, ainda, o fato de que a tradução de Cunha Medeiros está toda em prosa, enquanto a de Heliodora reproduz a combinação de Shakespeare, substituindo os pentâmetros jâmbicos por decassílabos. A escolha, evidentemente, acarreta implicações no leque de soluções tradutórias disponíveis.

 No exemplo acima, é interessante observar que as duas traduções brincam com o termo sentido, que se desloca polissemicamente entre significado e sensação. Cunha Medeiros e Mendes optam pela sutileza, quando, ao aludir à sustentação da ereção, referem-se à capacidade de Sansão de manter-se de pé.

 Na cena 1, do Ato II, Mercúcio, personagem obcecado por obscenidade, dá ao leitor talvez o mais extraordinário exemplo da linguagem objeto das nossas observações, no seguinte trecho.

O leitor do texto dramático em inglês encontra a expressão an open-arse (uma bunda arreganhada), que faz emergir o que havia sido apenas sugerido metaforicamente através do uso do termo dialetal medlar, fruta que, quando partida ao meio se assemelha à genitália feminina. Em termos linguísticos, medlar deriva do verbo meddle, que pode ser sinônimo de ‘introduzir à força’, ‘meter’, numa referência óbvia ao ato sexual. Nenhum dos tradutores traz ao seu texto o termo cru, preferindo manter a insinuação. Heliodora preserva a metáfora e a tradução de Cunha Medeiros/Mendes escolhe a estratégia usada em meados do século XX, de omitir o aspecto transgressor do item lexical, substituindo-o por et cetera. A opção é natural, visto que a tradução foi produzida em meados dos anos 1960 e publicada em 1969. No entanto, estes tradutores inserem duas notas de rodapé para explicarem os termos em inglês medlars: “tem quase a mesma pronúncia do que meddlerarse, ou seja, para sugerir o orifício retal, daí a causa do riso das criadas”; e poperin pear: “uma pera oriunda de Poperinghe (na Flandres) que tinha uma forma pontuda. Serve para continuar o sentido obsceno dos comentários de Mercúcio” (Shakespeare, 1995, p. 353).

É interessante observar, todavia, que William Shakespeare constrói esse contraponto, inovando, trazendo ao palco uma linguagem particular para cada personagem dentro de uma dada situação. A identificação de um trocadilho obsceno, muitas vezes, depende de quem fala e de quem é dirigida a fala, além do contexto e do tom da cena, evidentemente. No caso de Romeu e Julieta, um trocadilho vindo de Mercúcio ou da Ama pode ser bem menos sutil do que aquele que é emitido, por exemplo, pela Senhora Capuleto. Talvez advenha desse fato a riqueza de vocabulário criado e usado pelo dramaturgo, uma vez que sua obra dramática traz a público uma galeria de diferentes personagens. Não raro, ele emprega o léxico existente de modo inovador, criatividade essa estimulada pelo período de grandes transformações da língua inglesa no século XVI. De acordo com Barbara Heliodora, “toda ação dramática e todo personagem que atuava era não mais que produto da capacidade do autor de manipular palavras” (Heliodora, 2004, p. 261).

Depois de examinar alguns fragmentos do universo lexical de Romeu e Julieta, devo respeitosamente discordar do eminente acadêmico shakespeariano, Professor Stanley Wells, quando afirma que a peça começa com sexo sem amor, e prossegue com amor sem sexo. O que minhas observações indicam é que a peça tem início com itens lexicais com carga semântica de obscenidade permeada pelo manto da sexualidade, prossegue com imagens eróticas permeadas do manto da sacralização, e se encerra, no Ato V, cena 3, com uma representação fálica merecedora de atenção. Afinal, Julieta se mata com a adaga de Romeu, pedindo que ela se enferruje dentro de si.

Todavia, a sexualidade humana, na sua condição de construto da nossa imaginação, transforma-se ao longo do tempo, assumindo caráter multiforme sob as variáveis pressões culturais.

Em Romeu e Julieta, a grande tragédia é a impossibilidade de se atingir o amor, seja ele sagrado ou erótico. Somente na morte os amantes de Verona se unirão, e como que para marcar o culto ao amor ideal, o dramaturgo nunca mais escreveu uma tragédia lírica, depois de Romeu e Julieta.

Provavelmente, a crença de que o casal romântico tenha realmente existido se alimenta do desejo de que seu amor pudesse ter suplantado a tragédia. Seu sofrimento os transforma em oráculos, santificando-os, neutralizando tanto o universo erótico, quanto o obsceno que os precede, deslocando-os da ficção para o plano real. O culto do amor ideal, construído através de palavras, palavras, palavras, tão distante das experiências afetivas da contemporaneidade, nos estimula a perpetuar o mito e configura a única possibilidade de continuar uma história interrompida.

 

Caso tenham interesse em ler o texto na íntegra, ou ver outras análises sobre os cânones de Shakespeare, acessem:

http://www.maxwell.lambda.ele.puc-rio.br/trad_em_revista.php?strSecao=input0

 

 

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