A intenção por trás do título

Curiosidades sobre títulos de livros.

Quem nunca se perguntou por que tal livro tem tal nome? Quem nunca indagou por que o autor escolheu determinado título para sua obra? Braulio Tavares escreve um artigo interessante sobre o batismo dos livros. Aqui está:

A intenção por trás do título

Acidentes, ruídos e gozações já deram grandeza a muitos batismos de livros

Por Braulio Tavares

Que mistério tem um título?  Mistério nenhum, respondem milhares de autores e editores que têm um certo fetichismo em dar atenção aos títulos, achar que sempre pode haver um título melhor para aquele livro.  Ou o autor ideal que, ouvindo o título concebido e guardado há anos, seja capaz de escrever uma história à altura.

Um título é uma charada que o livro vai decifrando de pouquinho.  Nunca li “The Blue Hammer”, de Ross MacDonald, nem dei muita atenção ao seu título, mas me comovi ao ler num texto de H. R. F. Keating que o martelo azul é a veiazinha azul pulsando sob a pele de uma mulher adormecida, a namorada do detetive Lew Archer:

“Depois de algum tempo eu pude ver o pulsar ritmado em sua têmpora, a batida do martelo silencioso que queria dizer que ela ainda estava viva.  Desejei que aquele martelo azul não parasse jamais.”

O carioca Fausto Wolff tem dois livros que nunca li, mas trazem os títulos mais autobiográficos que conheço: “O Acrobata Pede desculpas” e Cai” e “O Campo de Batalha sou eu”. Imagino que muitas outras pessoas também verão suas vidas encapsuladas em títulos assim, que dizem um conceito surpreendente e nítido com a destreza de um samurai japonês executando um movimento rápido e complexo com sua espada.

Títulos Longos

Harlan Ellison foi um dos autores responsáveis pela moda de títulos longos na FC norte-americana dos anos 1960-70. Poucos, contudo, foram capazes de igualar a força de títulos seus como “A Fera que Gritou Amor no Coração do Mundo” (The Beast that Shouted Love at the Heart of the World) ou “Se Arrependa, Arlequim! Disse o Homem do Tic-tac” (Repent, Harlequin! Said the Ticktockman). O crítico Baird Searles queixou-se uma vez de que contos de FC antigamente se intitulavam simplesmente “Marooned!”, e agora ele tinha de citar “24 Vistas do Monte Fuji, por Hokusai”, de Roger Zelazny.

No Brasil parece que estamos meio em lua de mel estética com títulos longos, quase uma frase pinçada aleatoriamente no texto. “Enquanto Deus Não Está Olhando”, de Débora Ferraz (Ed. Record), “Das Paredes, Meu Amor, os Escravos nos Contemplam”, de Marcelo Ferroni (Companhia das Letras), “Barba Ensopada de Sangue”, de Daniel Galera (Companhia das Letras), “A Condição Indestrutível de ter Sido”, de Helena Terra (Dublinense), “No Inferno é Sempre Assim e Outras Histórias Longe do Céu”, de Daniela Langer (Dublinense). O título longo tem mais tempo e mais espaço para produzir sensações de familiaridade e estranheza.

Moda? Se é, espero que ninguém tente fazer um ponto a mais que David Foster Wallace e seu “Ficando Longe do Fato de Já Estar Meio Que Longe de Tudo” (Getting Away From Already Pretty Much Being Away From it All). Funciona? Funciona para gente que, em vez de se sentir desencorajada, anima-se a abrir o livro e ler uma página ao acaso. Há autores que precisam só disso para fisgar um leitor.

Ruído

Um brincalhão com títulos é o grande Gene Wolfe, o criador do épico futurista “The Book of the New Sun”. Ele tem um livro de contos intitulado “The Island of Doctor Death and Other Stories and Other Stories”. Um dos contos do livro se intitula precisamente “A ilha do doutor Morte e outras histórias”, de modo que a repetição deste termo no título geral fica justificada. Wolfe também tem um livro chamado “Pandora, by Holly Hollander”. É um livro dele sobre essa personagem de Holly, uma garota esperta que escreve um livro. Wolfe faz com que a “byline” (a linha que indica a autoria da obra) fique incluído no título, com uma segunda “byline” (“by Gene Wolfe”), desta vez autêntica.

Wolfe certa vez estava comunicando à revista Locus o nome de seu novo romance, “The Citadel of the Autarch” (A Cidadela do Aautarca), que devido a uma má ligação telefônica foi anunciado como “The Castle of the Otter” (O castelo da lontra).  Wolfe gostou tanto desse título “com ruído” que acabou por usá-lo noutra obra.

Também William Burroughs sugeriu lá de Tânger o título “Naked Lust” (lascívia nua) para seu livro, que os amigos estavam publicando nos EUA: os telefones transformaram isto no hoje famoso “Naked Lunch” (Almoço nu).

Marcas

Muitos autores gostam de ter marcas registradas. John D. MacDonald usou referências às cores em todos os seus livros com o detetive Travis McGee: “The Deep Blue Good-Bye, Nightmare in Pink, The Turquoise Lament, The Dreadful Lemon Sky, The Fearful Yellow Eye”. É algo eficaz porque esses métodos mnemônicos ajudam não somente o leitor como o balconista, o livreiro, etc. Há outras marcas mais sutis.

Poucos títulos de Jonathan Carroll deixam de propor uma imagem intrigante, inquietadora: “Bones of the Moon” (ossos da Lua), “Sleeping in Flame” (dormindo nas chamas), “A Child Across the Sky”  (uma criança através do céu), “The Wooden Sea” (O mar de madeira), “Outside the Dog Museum” (do lado de fora do museu dos cães).

Há livros extraordinários cujos títulos são banais, insípidos, convencionais, frívolos, pretensiosos. Não importa. Mas se um livro tem um grande título então já é de saída um livro onde algum teto já foi tocado, mesmo que não volte a sê-lo durante o livro propriamente dito.

Fonte: http://revistalingua.com.br/textos/111/a-intencao-por-tras-do-titulo-335480-1.asp

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O PAPEL DA QUALIDADE NA ÁREA DE TRADUÇÃO – II

Por Kamila do Nascimento Lopes

A qualidade esbarra em outras áreas e está totalmente vinculada a custo, tempo e recursos. Hoje em dia, não pensar em qualidade traz consequências seriamente negativas para a empresa ou para o freelancer.

A nossa área de atuação é muito dependente de custo (orçamento) e tempo (prazos quase sempre apertados). Vem sendo parte da atuação do mercado, quando se tem que escolher entre custo, tempo e qualidade, escolher atingir custo e tempo, deixando assim a qualidade à mercê.

As condições ambientais são outra causa que influencia o trabalho de um tradutor. Assumir um trabalho que tem baixo retorno financeiro e prazo apertado gera um ‘feeling’ de stress e tensão que afeta a qualidade final do trabalho. Devemos pensar que uma vez assumido o trabalho, questões como esta não devem ‘pesar’, pois deveriam ter sido consideradas antes de fechar o job, porém nem sempre é essa a realidade.

No contexto de empresas de tradução, o índice de retrabalho é maior ainda, gerando mais consumo de tempo e menos dinheiro em caixa.

A falta de recursos qualificados vem se transformando em um problema frequente, e cabe ressaltar aqui que qualificado não se limita apenas à skill, competências, certificados e etc., mas sim ao comprometimento dos recursos, ao cumprimento de prazos e ao engajamento que ele tem com a empresa.

Todos esses fatores mencionados acima assolam o campo das traduções e em época de crise, repensar no modo como estamos atendendo nossos clientes é fundamental para fazer o diferencial, seja você uma empresa ou um freelancer.

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O Papel da Qualidade na Área de Tradução

O Papel da Qualidade na Área de Tradução

Por Kamila do Nascimento Lopes

A qualidade se faz instrumento fundamental em qualquer processo, trabalho/serviço e projeto nos dias atuais. As pessoas buscam qualidade, inclusive a própria realidade brasileira já passa por processo de transformação de conceitos com relação a isso. O povo exige ‘qualidade’ dos departamentos governamentais para educação, saúde, tecnologia e a gama só faz aumentar.

Satisfazer as necessidades e consequentemente agradar o cliente final é um dos fatores que confirmam que o projeto foi bem sucedido, em outras palavras, que a tradução realizada ou serviço prestado, atingiram um nível satisfatório, que provavelmente vocês irão voltar a fazer negócios e que seu nome será recomendado.

2.1 Conceito de Qualidade

De acordo com o PMBok (uma das grandes referências na área de gerenciamento de projetos), página 227, 5ª edição, o gerenciamento da qualidade é:

“[…] determine quality policies, objectives, and responsibilities so that the project will satisfy the needs for which it was undertaken” (grifos meus).

Aplicando todas essas definições na área de tradução, deve-se colocar peso dobrado para a função da qualidade no processo, os clientes finais são mais exigentes e os requisitos vão desde a escolha do recurso até a finalização do processo.

“In discussions about translations (as products) and translation (as an activity) the question of quality has always been one of top priority. It has been repeatedly said that the aim of each translation activity is to produce a good translation, a good target text (TT).” (Schäffner, Cristina)

Na área de tradução o conceito de qualidade aborda técnicas simples de garantia de qualidade, de forma a entregar um trabalho que seja aceitável pelo cliente final, levando em consideração terminologia específica do cliente, estilo de tradução, mínimo aceitável de erros na tradução e fluência/linguagem adequadas.

Ainda em nosso campo de atuação existem duas vertentes de qualidade que devem ser consideradas distintamente:

- Qualidade na visão da Empresa de Tradução

- Qualidade na visão do Freelancer

Para empresas de tradução a qualidade abrange a confiança e a qualidade de seus recursos na hora de selecionar quem irá assumir o job. O trabalho é feito por um recurso interno ou externo e ainda assim há a etapa de certificação de qualidade, em que outro recurso (diferente) é designado a fazer Proofreading ou uma Revisão mais detalhada do conteúdo para garantir a qualidade satisfatória final.

Para Freelancers todas essas etapas ficam como responsabilidade da própria pessoa, de acordo com o que ela julgar necessário.

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Snoopy

Hoje quem completa 47 anos de vida é o Snoopy!

O mais famoso beagle contempla a vida deitado em cima de sua casa, escreve romances, viaja para a lua e diverte-se com a turma do Charlie Brown.

Curisidade: Snoopy lê “Guerra e Paz”! Ele lê uma palavra por dia.

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Guia de línguas disponibiliza consulta de palavras em Talian

Dica da Spell:

O Brasil é um país conhecido por sua diversidade natural, cultural, étnica, artística, social, porém a variedade de línguas faladas no território nacional também é notável. Estima-se que mais de 250 línguas sejam faladas no Brasil entre indígenas, de imigração, de sinais, crioulas e afro-brasileiras, além do português.

Esse patrimônio cultural é desconhecido por grande parte da população brasileira, que se acostumou a ver o Brasil como um país monolíngue. E como referência em consulta desses idiomas, a revista Talian Brasil lançou o Guia de Palavras 5 línguas - O Ghia de Parole. A publicação conta com mil palavras em Talian Brasilian, Português, Vèneto, Italiano e Inglês.

O Talian
O Talian é uma das autodenominações para a língua de imigração falada no Brasil onde houve ocupação italiana, desde o século XIX, nos estados do Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso e Espírito Santo, incluído no Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL), em 2015.

O INDL é instrumento oficial de identificação, documentação, reconhecimento e valorização das línguas faladas pelos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira. Assim, o Iphan incluiu no INDL, até março de 2015, além do Talian, mais duas línguas; a língua Asuriní do Trocará, que pertence ao tronco Tupi, da família linguística Tupi-Guarani. Os Asurini do Trocará ou Auiu no Surini do Tocantins habitam a Terra Indígena Trocará, localizada às margens do rio Tocantins, em Tucuruí (PA); e a língua Guarani Mbya, identificada como uma das três variedades modernas da língua Guarani, da família Tupi-Guarani, tronco linguístico Tupi – as outras são o Nhandeva ou Chiripá/Txiripa/Xiripá ou Ava Guarani e o Kaiowa.

Acesse a página do Inventário Nacional da Diversidade Linguística.

Já o Guia será atualizado mensalmente de maneira digital, e conforme as pesquisas sobre os idiomas vão avançando, o guia vai sendo atualizado.

Faça dowload gratuito do Ghia de Parole.

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Shakespeare in the bush

“Vocês americanos não compreendem o real significado de Shakespeare”

Essa frase dita por um inglês, amigo de Laura Bohannan, antropóloga americana, instigou-a a fazer um trabalho de campo com a tribo Tiv, localizada a oeste da África durante os anos de 1949 a 1953.

Um dos objetivos de sua pesquisa era buscar outra possibilidade de interpretação através do olhar de uma cultura diferente da ocidental, a respeito de uma das obras mais famosa de Shakespeare, “Hamlet” e revelar que a ideia de que só existe uma forma de interpretar uma história é realmente contestável.

Convenhamos que a visão de mundo que temos se origina da forte e longa influência da dominação europeia. Isso nos faz acreditar em certa crença e costume, e o que advém do contrário de nossas crenças, muitas vezes consideramos como errado.

Laura mesmo afirma que “as pessoas no mundo são iguais” assim como “as grandes questões da humanidade são as mesmas”.

É de se pensar o fato de que muitas vezes somos incapazes realmente de considerar outras formas de organização social e cultural além na nossa cultura ocidental.

E com a proposta de tirar esse estereotipo de pensamento fixado culturalmente, Laura foi à tribo Tiv entender a forma que eles vivem e pensam.

A antropóloga decidiu levar a história de “Hamlet”, mundialmente conhecida, por apresentar alguns pontos polêmicos, tais como os e que se destacam como fatores principais da história:

- O espectro do rei aparece a Hamlet;

- A frustração de Hamlet com casamento de sua mãe com o cunhado;

- A morte do rei e o ensejo de seu irmão em tomar o seu lugar;

- A vingança de Hamlet;

- Etc.

Sob o olhar (cultura) da tribo Tiv, todos os eventos são observados de forma totalmente oposta dos ocidentais. Para eles, os mortos, por exemplo, não podem andar nem falar, portanto não há possibilidade do espectro aparecer para Hamlet, pois os nativos Tiv não concebem a ideia de espectro, e dizem que com certeza ali se tratava de um presságio enviado por uma bruxa.

Outra surpresa oposta a nossa realidade, foi a afirmação de que o caminho mais natural seria mesmo a viúva se casar com o irmão do falecido, e o mais depressa possível, caso contrário, ela não teria quem cuidasse de suas plantações.

Conforme vivenciado por Laura, as reações dos anciãos da tribo Tiv perante a visão “ocidental” de “Hamlet” foi a mais surpreendente possível.

Essa duas menções da visão da tribo africana são apenas dois ótimos exemplos de que a literatura é aberta para muitas interpretações e há muito mais a se conferir nessa instigante experiência que Laura Bohannan viveu com os Tivs.

O site Natural History Magazine (link abaixo) apresenta na íntegra essa experiência da Antropóloga.

Acesse: http://www.naturalhistorymag.com/picks-from-the-past/12476/shakespeare-in-the-bush

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A profissão de tradutor Juramentado

O Tradutor Juramentado, oficialmente Tradutor Público ou Intérprete Comercial (TPIC) é uma pessoa nomeada pela Junta Comercial de seu estado (mediante aprovação em concurso público) para exercer o ofício de traduzir documentos oficiais como: passaporte, certidões, diplomas, históricos escolares, atestados médicos, dentre outros.

A legislação brasileira exige que para tais documentos terem validade dentro do território nacional é necessário dar fé a tradução, ou seja, ela precisa ser legítima e totalmente fiel ao documento de origem, de forma a garantir a autenticidade da tradução.

No decreto Nº 13.609, de 21 de outubro de 1943, em que Estabelece novo Regulamento para o ofício de Tradutor Público e Intérprete Comercial no território da República, consta no seguinte artigo:

Art.18: Nenhum livro, documento ou papel de qualquer natureza que for exarado em idioma estrangeiro, produzirá efeito em repartições da União dos Estados e dos municípios, em qualquer instância, Juízo ou Tribunal ou entidades mantidas, fiscalizadas ou orientadas pelos poderes públicos, sem ser acompanhado da respectiva tradução feita na conformidade deste regulamento.

Uma tradução juramentada precisa seguir o padrão apenas de ser impresso em folha timbrada e ter seu formato e conteúdo exatamente igual ao documento original.

É sempre importante verificar na Junta Comercial o nome do tradutor contratado para efetuar a tradução, mas se seu objetivo não é contratar, e sim, se tornar um tradutor público, seguem algumas dicas que podem te auxiliar nessa longa jornada.

Para se tornar um TPIC é necessário residir no Brasil (especificamente no estado em que irá realizar o concurso), ser maior de 18 anos e estar em ordem com a Polícia Federal.  Não é necessário ter formação na área de Tradução, porém a prova exige conhecimentos e técnicas de tradução, versão e interpretação.

Estando com todos os requisitos de acordo, é só entrar na Junta Comercial de seu Estado e se inscrever para o concurso. Mas para isso, você terá que aguardar a abertura de um novo edital, o que leva anos. Em alguns estados, chega a existir uma espera de 20 anos para surgir a oportunidade de se tornar um “Tradutor Juramentado”.

O concurso não é aberto periodicamente, pois só se faz necessário a abertura de um novo edital quando ocorre grande demanda pelo serviço.

Abaixo estão as associações dos Tradutores Públicos e Intérpretes Comerciais de alguns estados do Brasil:

ATPIESP – SP

ATP – RJ

ATPP – PR

ATPMG – MG

ACETESP – CE

ACTP –SC

ASTRAJUS –RS

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Mercado de Trabalho

Para o post de hoje temos um texto juntamente com uma sugestão de blog que tem como ideia trazer textos atuais sobre o mercado, sobre Coaching, reportagens, entrevistas, entre outras ideias.

O que é a crise da Grécia?

Muito se fala sobre a crise da Grécia, mas você realmente entende o que está acontecendo? Este texto abaixo, escrito pelo Flávio Auguto do Geração de Valor, conta de uma forma muito bacana fazendo analogia a duas famílias, o que é a crise. Mas antes vamos entender algumas coisinhas que não vi pelo texto…

A Grécia esta com uma dívida de aproximadamente 320 bilhões de Euros (mais de 1 trilhão de reais) e o país não tem como pagar.

Esta dívida veio se acumulando ao longo de anos e anos de financiamentos de empréstimos, já que eles gastavam mais do que arrecadavam. O problema estourou quando os investidores não quiseram mais emprestar dinheiro.

Foi neste momento que a zona do Euro demonstrou preocupação, temendo um efeito dominó na crise, onde outros países da zona (que estão com sua economia enfraquecida) fossem atingidos. Perfeito, sendo assim em 2010 a Grécia fez um novo empréstimo com o FMI, e optou por aumentar a idade de aposentadoria, aumentar impostos, congelar salários públicos, etc. Claro que houve muita revolta e protestos nada amigáveis da população. Com isso muitos gregos passaram a viver abaixo da linha da pobreza, e a taxa de desemprego cresceu absurdamente.

Hoje o pior cenário que podia ser previsto no começo da crise, o calote, se tornou realidade, e a Grécia se tornou o primeiro país desenvolvido a não pagar o FMI, além de ser o maior calote da instituição (isso não foi declarado oficialmente).

Por fim, o Banco Central Europeu, FMI e Comissão Europeia fizeram uma nova proposta a Grécia, para ações contra corrupção, alguns novos impostos, entre outros. A Grécia criou um plebiscito ( manifestação popular expressa através de voto, que ocorre quando há algum assunto de interesse político ou social, significados.com.br) onde seus cidadãos votaram por sim, concordar ou não, não concordar com as novas exigências. A votação deu maioria não, por acharem humilhante tais exigências.

A verdade é que ninguém sabe ao certo os próximos acontecimentos.. O FMI, BC Europeu e Comissão Europeia não estão abertos a negociações, e não existe nenhuma lei que justifique expulsão de um país da Zona do Euro, nem em caso de calote… Vamos aguardar as próximas notícias…

Texto do Flávio Augusto:

O QUE VOCÊ FARIA NESSA SITUAÇÃO?

Um amigo te procura pra pedir dinheiro emprestado. Os argumentos que ele usa são convincentes: está endividado e sem conseguir pagar as suas contas, colocando em risco o bem estar da família (mulher e duas lindas filhas). Ele diz que está se organizando e promete te pagar em 1 ano. Segundo ele, 5 mil reais resolveria tudo sem gerar transtornos pra ninguém.

Você tem este dinheiro disponível numa aplicação financeira, rendendo cerca de 12% ao ano e não há previsão de precisar dele. Então, sensibilizado pela situação difícil de seu amigo, você resolve emprestar o dinheiro, dando a seu amigo a responsabilidade de lhe pagar os 12% de juros ao ano. Ele concorda, pega o dinheiro, agradece e promete que no prazo acordado vai devolver o dinheiro ajustado.

Um ano mais tarde, no dia do pagamento da dívida, vocês voltam a falar no assunto. Então ele diz que as coisas não correram como ele imaginava e que acabou se endividando ainda mais no ano que passou. Você pergunta: “mas aquele dinheiro que te emprestei não resolveria o problema?”. Ele responde: “Sim, mas aconteceram outros imprevistos e situação se agravou ainda mais”. Lamento muito.

Por fim, ele diz que não poderá pagar a dívida como estava planejado. Você responde: “Mas, amigo, eu estou contando com este dinheiro para fazer um investimento e preciso que você me pague”. O amigo endividado faz uma nova proposta. “Vou pagar agora os 12% de juros sobre o valor principal que você me emprestou, renovar o prazo por mais um ano e ainda proponho um novo empréstimo, dessa vez de 10 mil reais”. Segundo ele, este dinheiro vai matar definitivamente o problema e daqui a um ano, ele teria dinheiro para pagar os 15 mil reais de volta mais 12% de juros.

Você fica muito desconfortável com essa situação e pensa que sua mulher vai ficar furiosa, mas resolve aceitar para ajudar o seu amigo que está muito aflito por esta situação. Não deu outra. Chegando em casa, sua mulher ficou furiosa e disse que você está sendo enganado. Você diz que não. Ele é seu amigo por muito tempo e confia nele. Seus filhos ouvem a discussão acalorada.

Um ano mais tarde, ele chega para a reunião para tratar sobre o empréstimo com uma cara de derrotado. A notícia é que a dívida dele aumentou novamente. Dessa vez ele diz que está a ponto de quebrar, o que significaria que os 15 mil + juros jamais seriam recebidos de volta. Você fica estarrecido e sua mulher diz “eu te disse, eu te disse”, deixando todos preocupados com o grande prejuízo que seria perder o dinheiro que economizado arduamente por anos. No entanto, o amigo endividado diz que enxerga uma solução para ter um final feliz: um novo empréstimo de 20 mil reais que ele promete devolver no ano seguinte + os débitos passados + juros de 12% ao ano.

Você acha essa proposta uma ousadia absurda e diz que não pode fazer isso, pois ficaria sem economias. No entanto, por outro lado, você já se considera parte do problema já que não emprestar significaria perder tudo.

Então, você tem uma ideia e diz para ele em tom decidido: “Amigo, até agora eu lhe emprestei dinheiro e por duas vezes você não resolveu o problema. Dessa vez, para te emprestar dinheiro de novo eu quero ver as suas contas e avaliar o que está acontecendo. Ele, sem alternativa, topou.

Ao mergulhar nas contas dele, você toma um susto por perceber que este amigo endividado tem uma vida mais confortável que a sua, gasta com futilidades, dá mesadas enormes para as filhas que só andam com roupas de marca e ainda trocou de carro duas vezes por ano em todo período. Para sustentar tudo isso, ele mentiu e pegou vários empréstimos com você.

Você fica revoltado e o considera um irresponsável e sem palavra. Tem vontade de virar as coisas, mas… perderia todo dinheiro que emprestou. Volta, engole o sapo e pergunta a ele: “Por que você fez isso?” Ele responde dizendo que não quis causar um sofrimento para sua família que nem sabe ao certo sobre sua dívida. Então você diz a ele:

“Vou lhe emprestar esses 20 mil reais pra resolver isso de uma vez por todas, com uma condição:

  1. Você vai vender os seus carros e comprar apenas um bem usado para se transportar até pagar toda dívida.
  2. Você vai reduzir os gastos com restaurantes que você vai com a família em todos os finais de semana.
  3. Vai cancelar suas viagens para o exterior.
  4. Por fim, vai refinanciar o seu apartamento para me pagar até o final do ano.

O amigo fica muito agradecido, diz que aceita as condições, vai executar tudo o que você exigiu para o novo empréstimo e se compromete que vai pagar tudo no ano seguinte. Ele pega os 20 mil e sai satisfeito, dizendo que dessa vez vai resolver tudo.

Um mês antes do vencimento deste novo e derradeiro acordo, no ano seguinte, ele te procura dizendo que não tem como te pagar e dessa vez falando grosso. Você não esperava por isso, mas pergunta se ele realizou todas as medidas que foram acordadas. Ele disse que não fez NADA. Você pergunta pra ele o porquê e ele diz:

“Fiz um plebiscito com a minha família e ela disse “não” para as medidas que acordamos, pois toda a família passaria muito sacrifício com os ajustes exigidos e todos consideraram inaceitáveis essas condições. Além do mais, minha mulher me disse que não acha justo, pois a família de vocês têm uma situação financeira maior que a nossa, logo, precisam nos ajudar se não, nem o que vocês nos emprestaram até agora, nós poderemos pagar de volta, o que vai lhes causar grandes transtornos e prejuízos definitivos.

Você fica transtornado e antes de falar umas verdades ele te interrompe e diz:

“Dessa é pra valer, amigo. Pode me emprestar mais 30 mil reais para salvar a minha família da falência? Prometo que vou te pagar de volta…”

Bem, se você não tinha entendido a situação da Grécia até agora, essa história é bastante parecida.

Fiquem a vontade para explorar o blog: http://jovemdegravata.com

Até a próxima.

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Para escrever bem é preciso ler bem

Para escrever bem é preciso ler bem?

Ao longo dos anos em que comecei a ler variados livros notei uma marcante melhora na minha escrita. Claro, que ainda não perfeita, mas, assim que terminava um livro tinha a experiência de um novo vocabulário que mais tarde seria útil em vários textos que criaria. E então me fiz a pergunta, quanto mais eu ler, mais minha escrita melhorará?

Fazendo uma pesquisa sobre o assunto encontrei um artigo de Rodrigo Ratier para a Revista Nova Escola, com o título “Ler para escrever: Bons leitores são bons escritores? Nem sempre. Para enfrentar o desafio da escrita, é preciso investigar as soluções de autores reconhecidos” que nos faz pensar nos aspectos que realmente ajudam um leitor se tornar um ótimo escritor e que toda essa melhora começa desde os contos que líamos quando criança. Segue abaixo dicas dadas por ele. Aproveite!

Cada tipo de texto tem uma forma específica de dizer determinadas coisas. “Era uma vez”, por exemplo, é certamente a forma mais tradicional de dar início a um conto de fadas (note que ela não seria adequada para uma composição informativa ou instrucional). Além de colaborar para que a turma identifique essas construções, a leitura de contos clássicos pode municiá-la de alternativas para fugir do lugar-comum. O Príncipe-Rã ou Henrique de Ferro, na versão dos Irmãos Grimm, começa assim: “Num tempo que já se foi, quando ainda aconteciam encantamentos, viveu um rei que tinha uma porção de filhas, todas lindas”.

Descrição psicológica. Trazendo elementos importantes para a compreensão da trama, a explicitação de intenções e estados mentais ajuda a construir as imagens de cada um dos personagens, aproximando-os ou afastando-os do leitor. Em O Soldadinho de Chumbo, Hans Christian Andersen desvela em poucas linhas os traços da personalidade tímida, amorosa e respeitosa do protagonista: “O soldadinho olhou para a bailarina, ainda mais apaixonado: ela olhou para ele, mas não trocaram palavra alguma. Ele desejava conversar, mas não ousava. Sentia-se feliz apenas por estar novamente perto dela e poder contemplá-la”.

Descrição de cenários. O detalhamento do ambiente em que se passa a ação é importante não apenas para trazer o leitor “para dentro” do texto, mas também para, dependendo da intenção do autor, transmitir uma atmosfera de mistério, medo, alegria, encantamento etc. Em O Patinho Feio, Andersen retrata a tranquilidade do ninho das aves: “Um cantinho bem protegido no meio da folhagem, perto do rio que contornava o velho castelo. Mais adiante estendiam-se o bosque e um lindo jardim florido. Naquele lugar sossegado, a pata agora aquecia pacientemente seus ovos”.

Ritmo. É possível controlar a velocidade da história usando expressões que indiquem a intensidade da passagem do tempo (“vagarosamente”, “após longa espera”, “de repente”, “num estalo” etc.). Outros recursos mais sofisticados são recorrer a flashbacks ou divagações dos personagens (para retardar a história) ou enfileirar uma ação atrás da outra (para acelerar). Charles Perrault combina construções temporais e encadeamento de fatos para gerar um clima agitado e tenso neste trecho de Chapeuzinho Vermelho: “O lobo lançou-se sobre a boa mulher e a devorou num segundo, pois fazia mais de três dias que não comia. Em seguida, fechou a porta e se deitou na cama”.

Caracterização dos personagens. Mais do que apelar para a descrição do tipo lista (“era feio, medroso e mal-humorado”), feita geralmente por um narrador que não participa da ação, que tal incentivar a garotada a explorar diálogos para mostrar os principais traços dos personagens? Nesse aspecto, a pontuação e o uso preciso de verbos declarativos e de marcas da oralidade (leia a reportagem O papel das letras na interação social) exercem papel fundamental.”

A conclusão do artigo é que você pode ler muito, porém, se os desafios de escrever não forem encontrados e passados, a leitura pode não ter impacto na sua escrita. Portanto, além da leitura, a escrita deve ser praticada para que a melhora aconteça.

Aproveite esse momento de chuva e friozinho para ler um ou vários livros!

Abraços,

Maressa Machado

Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/fundamentos/ler-escrever-432060.shtml

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Aja ou Haja

É bastante comum a dúvida na hora da escrita de palavras homófonas, isto é, com a mesma pronúncia, porém com grafia e significado diferentes. Muitas vezes são palavras que usamos a todo o momento, no dia a dia, mas quando é necessário escrevê-las, fica sempre uma pontinha de dúvida.

Para o post de hoje, escolhemos duas palavras homônimas que certamente já te causaram dúvidas quanto à escrita:

Você, por certo, já ouviu alguém dizer por aí:

- Aja (ou seria haja?) paciência!

Percebeu que um grande número de vocábulos, os quais apresentam semelhanças gráficas e sonoras, tendem a nos acompanhar mediante distintas circunstâncias comunicativas? Por esta razão é que muitos usuários se sentem acometidos por alguns questionamentos no momento de optar pela forma correta.

Assim, mediante tal realidade, dispomo-nos a discorrer acerca dos pontos que demarcam duas corriqueiras formas verbais, expressas por “aja” e “haja”, as quais integram nosso linguajar rotineiro. Assim sendo, voltemos ao exemplo anterior, atendo-nos agora, à forma adequada:

Haja paciência!

De forma simples, devemos constatar que “haja” representa o presente do modo subjuntivo, fazendo referência à primeira ou terceira pessoa, bem como a forma afirmativa ou negativa do modo imperativo do verbo “haver”, assim expressas:

Presente do modo subjuntivo

Que eu haja

Que ele haja

Forma afirmativa e/ ou negativa

Haja você

Não haja você

Outros sentidos que podemos atribuir à forma verbal em questão são ocorrer, acontecer, existir. Dessa forma, temos:

Que exista, que ocorra paciência.

A outra forma, representada por “aja”, nada mais é do que a forma flexionada, demarcada também pela primeira ou terceira pessoa do presente do modo subjuntivo, como também das formas imperativa e negativa, só que desta vez se referindo ao verbo “agir”. Assim, constatemo-las:

Presente do modo subjuntivo

Que eu aja

Que ele aja

Forma formativa e/ou negativa (modo imperativo)

Aja você

Não aja você

Podemos, por conseguinte, atribuir à tal forma o sentido de atuar, proceder. Assim, materializando a afirmativa, temos:

Aja sempre com cautela. (atue)

Desejo que você aja de forma consciente, mediante a tantas intempéries. (proceda)

Fonte: http://www.portugues.com.br/gramatica/aja-ou-haja.html

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